Condições: muita luz e contraste, por não ser cedo. Água com muito brilho. Aves brancas, mas longe, o que pode enganar a medição e estourar o branco. Oportunidades de aves em vôo e movimentos na água.

Garça-branca-grande (Ardea alba) Great Egret

 

  • Texto e fotos: Cristian Andrei
  • Câmera: Nikon D800 e lente Nikkor 300 f2.8 com teleconverter 2x
  • Passeio em Tremembé – SP em 4/08/2012 com a Claudia Komesu

Experimentando equipamento novo, e aproveitando a luz e facilidade da cena par testar as funções automáticas. Algumas que talvez só tenham na D800, outras que todas as dslr devem ter.

Os desafios principais eram não estourar o branco, não tremer em fotos sem tripé de dentro do carro com equipamento pesado, e manter o foco com aves em vôo.

Usei medição matricial o tempo todo, porque i) a luz estava bem uniforme, céu sem nuvens e sol alto, e ii) havia aves brancas e escuras, se usasse pontual ia ter que ficar compensando mais conforme a cor da ave. Na maior parte do tempo usei -1, para segurar os brancos e escurecer o fundo e a água. Em algumas situações usei 0, outras até -2, mas se tivesse deixado no -1 o tempo todo também teria dado certo.

Usei um recurso da Nikon que uso pouco, o active d-lighthing, que serve para reforçar os detalhes nas áreas claras e escuras em cenas de alto contraste. Na D800 deixei a intensidade desse recurso em auto.

O white balance ficou no auto mas com ajuste para A3, que aquece um pouco e compensa a luz azul do sol. A é de âmbar (a outra opção seria B de blue) e o 3 é uma intensidade intermediária. Suficiente para dar uma amarelada nas penas brancas às quatro da tarde. Quando não tem muito sol direto uso o cloudy com ajuste B1. pra quem só usa raw isso talvez não tenha muito sentido, mas eu uso jpg.

Usei o ajuste Vivid que enfatiza a saturação e contraste, em vez do standard que costumo usar.

Quando estava atrás de aves voando usei a prioridade de velocidade mantendo em 1/2500 ou 1/4000, com ISO automático. Nas situações mais paradas usei prioridade de abertura, em 5.6, que era a máxima, ou em 6.3.

O modo de foco ficou o tempo todo em af-c, exceto nas fotos de paisagem do fim do dia. Seleção de ponto de foco: testei o automático, que pelo que li evoluiu batante na D800. Em vez do tradiconal foco no objeto que estiver mais próximo, parece que ele consegue detectar faces, olhos e outros candidatos a assunto principal. De fato em muitos casos ele focava na face ou olho da ave ou, se era pequena, no corpo. Quando não funcionava, ou se eu não queria arriscar, como na sequência da garça perseguida pelo caracará, usei o 3d, que faz foco no ponto selecionado e depois acompanha o assunto pela cena. Nesses casos mantive como ponto selecionado sempre o central, que é mais rápido. Pra não enquadrar a ave no centro basta focar e depois enquadrar mantendo o foco ligado – o ponto de foco se desloca sozinho acompanhando a nova posição da ave no visor, e não arrisco perder o momento decisivo enquanto estou mudando o ponto de foco.

De dentro do carro foi mais difícil fotografar com estabilidade, principalmente quando a foto estava do lado da Claudia. Para apoiar a câmera na janela uso um saco cheio de canjica, milho ou arroz, mas não estava com ele. De volta em casa ressuscitei meu monopé, coloquei uma cabeça pequena de plástico da manfrotto e uma base (clamp) para os plates tipo arca-swiss que eu uso. O monopé fechado ou ouco estendido cabe dentro do carro, e com o VR talvez dê apoio suficiente, a testar na próxima saída.

Em resumo, resolvi aproveitar a luz forte e as cenas relativamente fáceis para usar o máximo de automatização na exposição, no foco e no tratamento de imagem. Funcionou bem, não perdi fotos por estar com regulagem ou foco errado e facilitou a concentração nas cenas.