Você tem um pai, um avô ou uma pessoa especial que te ensinou a amar a natureza? Um convite: escolha uma foto de natureza e escreva uma homenagem a essa pessoa.

Tesourinha-da-mata (Phibalura flavirostris) Swallow-tailed Cotinga, pais muito dedicados.

 

A ideia deste post não é homenagear a todos que amamos, mas sim as pessoas que tiveram uma boa influência em nossa forma de ver o mundo natural.

Eu por exemplo, amo muito meu pai, mas nessa questão com a natureza, acho que meu avô foi mais influente. Vou escrever sobre ele. Quem quiser participar, mande uma foto e um pequeno texto falando da sua pessoa especial, eu posto aqui.

 

De Claudia Komesu para Kazuya Murakami

Preparação para o plantio de arroz, em Tremembé – SP. Minha homenagem ao meu avô, um japonês que amava o Brasil e não desperdiçava um grão de arroz.

Meu avô se chamava Kazuya Murakami. Chegou ao Brasil com 19 anos, em 1941, fugindo da II Guerra e da pobreza no Japão. Como bom japonês, ele adorava arroz, e nunca deixava sobrar um grão no prato. Conhecia todo o processo de preparação da terra, plantio e colheita, e dizia que era algo trabalhoso demais para a gente desperdiçar na mesa. Só fui conhecer o birdwatching depois de velha, mas agradeço ao meu ditchan por ter ensinado o respeito e amor pela terra. Meu parágrafo está ficando comprido, mas queria contar mais uma do arroz: meu avô era durão, mas depois que conheceu a Seicho-no-ie foi ficando cada vez mais tranquilo e engraçado. Quando minha mãe dava alguma bronca no meu pai, eles trocavam olhares, e meu vô fazia um gesto de punho dobrado pra baixo, que significava “o arroz, quando amadurece, cacheia e se dobra”, ou às vezes falavam “já cacheou”, e diziam que o mais sábio era não tentar discutir com as mulheres.

 

De Claudia Covolan para Lister Antonio Covolan

Cambacica, uma das aves que frequenta o lindo jardim de Claudia Covolan

A paz e o amor moram aqui… mais precisamente no quintal da minha casa! Quem plantou? Meu pai.

Numa manhã feliz da minha infância, há quase 40 anos atrás eu vi meu pai entrando pelo corredor lateral da minha casa, com uma pequena muda de jabuticabeira numa carriola… e eu fiquei ali, encantada, observando-0 plantar aquela mudinha com todo o carinho, como sempre faz tudo nessa vida. E tantas outras vezes o vi repetindo aquele mesmo gesto de amor… já perdi as contas de quantas árvores frutíferas meu pai plantou… mas aquela jabuticabeira é, sem dúvida, a mais especial para mim. E ela continua aqui, intacta, cheia de vida, de beleza e de… passarinhos, que vêm para descansar, dormir, cantar, namorar, se alimentar dos frutos dela e, principalmente das frutas que o meu querido pai coloca todos os dias, sob a sombra da jabuticabeira, há anos e anos, enquanto todos ainda dormem, lá está ele, em silêncio, levando alimento e alegria aos passarinhos… meu pai é a minha inspiração… acho que herdei esse amor duplamente, na genética e na convivência… nem mil palavras seriam suficientes para expressar o meu amor, admiração e respeito!

Obrigada meu pai querido, meu herói!

 

Deixo aqui uma poesia dele…

“Pássaro voando é sinônimo de liberdade.

Liberdade é a essencial e incansável busca do nosso coração.

Liberdade é a mais brilhante alegria em que se essencializa a vocação de todo ser vivo.”

(Lister Antonio Covolan)

 

Mais fotos do jardim de Claudia Covolan: http://virtude-ag.com/jardim-santa-barbara-doeste-sp-claudia-covolan/

 

De Silvia Linhares para Joaquim Faustino

Garça-branca-grande que eu e meu pai fotografamos juntos, em Presidente Prudente – SP.

Tem um dito popular que diz “recordar é viver”. Então… a gente recorda com saudades apenas das coisas boas, ainda bem, né?

Nasci no interior de São Paulo (Presidente Prudente), assim como meu pai JOAQUIM FAUSTINO, que é filho de agricultores. Desde adolescente os interesses profissionais do meu pai sempre foram outros e não as terras dos meus avós. Ele muito cedo tornou-se advogado. Meus avós foram loteando as terras, e quando nasci havia apenas “a chácara”. Não era qualquer chácara, era um local sagrado para nós, onde toda a família se reunia para festejar. Todo domingo o almoço era na casa da “Nona”. Meus avós tiveram dez filhos, e uns tantos cinquenta netos, nem entro no mérito dos bisnetos e tataranetos que já perdi as contas (riso).

Veja esse belo relato completo em http://silvialinhares.blogspot.com.br/2012/08/dia-dos-pais-eu-meu-pai-e-natureza.html

 

Daiane Barros

Adoraria pode escrever algo a respeito, este post me fez voltar anos e anos atrás. Infelizmente na cidade em que nasci não é comum preservação da natureza especialmente da fauna, um lugar com muita estórias, crendices e principalmente com costumes ambientais nada admiráveis. Meu pai, assim como tantos outros é um daqueles nordestinos que caçavam sem um motivo que realmente fosse justificável, coisa comum de ver lá, atitude que acabou com boa parte da fauna. Não é a toa que o Estado de Alagoas é dos que possui maior número de aves em risco de extinção. Lembro que quando criança fui a estranha dentre os 10 filhos e ainda sou hehehe. Quando criança adorava ler livros de ciências, ler sobre animais, ficar em cima de árvores observando a natureza. Não comia carne de animal silvestre. Hoje depois de anos acho que alguns conceitos mudaram em casa, quando minha família viu que eu passei a ficar dias fora de casa, “pra procurar bicho” como eles dizem, só o fato de aceitarem isso já me deixou feliz. Acho que a consciência deles a respeito dos animais e natureza como um todo também está mudando. Como costumo dizer, o prazer em observar aves e curtir a natureza é contagiante e espero mudar muita coisa ainda. A começar pelo lugar mais difícil: minha casa, minha família.