Lençóis Paulista está situada na microrregião de Bauru, centro-oeste do Estado de São Paulo. As principais vias de acesso ao município são as rodovias Marechal Rondon e Osni Mateus, ambas pavimentadas. Há acessos secundários sem pavimentação.

A atividade de observação de aves no município, cuja área territorial é de 803 km², é ainda incipiente. As estatísticas do site wikiaves.com.br apontam em março de 2017 362 fotos publicadas, 23 sons registrados, um total de 164 espécies e somente 9 usuários residentes cadastrados, os quais publicaram apenas 52 fotos. Conclui-se que os registros, em sua maioria, foram feitos por alguns poucos “forasteiros”. Apesar de ser natural de Lençóis Paulista, o autor deste texto considera-se um “forasteiro” por residir fora do município há mais de 40 anos, sendo, provavelmente, o que mais fotos publicou, cerca de 140.

Os números apresentados acima têm a finalidade de mostrar que há amplo espaço a ser explorado pelos aficionados da observação de aves no município, apesar de importante restrição de ordem ambiental ditada pela exploração econômica de suas terras.

A economia de Lençóis Paulista é baseada principalmente na indústria, com destacada participação da produção de açúcar, álcool e derivados e de celulose. A matéria-prima desses setores são a cana-de-açúcar e o eucalipto, produzida em grandes extensões na região. É sabido que essas plantações oferecem pouca receptividade à fauna em geral e às aves em particular.

Restam, portanto, poucas áreas cobertas com vegetação nativa. Essas áreas estão, geralmente, nas margens ou nas nascentes de cursos de água – a mata ciliar, precariamente preservada – e em uma ou outra propriedade rural que não explora aquela atividade.

A mata ciliar é um elemento importante, pois é bastante extensa. O município é um divisor de águas. Dois rios cortam suas terras. Um deles – o rio Lençóis, que banha a área urbana – faz parte da bacia hidrográfica do Tietê.  O outro – o Rio Claro, cujo curso em sua totalidade atravessa apenas a área rural – faz parte da bacia hidrográfica do Paranapanema.

Ambos possuem uma extensa mata ciliar e, do ponto de vista do autor, leigo na matéria, possuem avifauna distinta: espécies avistadas em uma região, em geral, não são avistadas na outra.

É justamente nessas áreas que a passarada se reúne e onde os observadores podem, com alguma facilidade, fazer seus registros. Com alguma facilidade, sim, porque os canaviais são cortados por inúmeras estradas, algumas até pavimentadas, pois a cultura exige movimentação de veículos e máquinas para plantio, fertilização, corte e transporte da produção. É por esses caminhos que o autor faz a maior parte de suas “passarinhadas”.

Não só por esses caminhos, contudo. Na área urbana há locais pródigos em espécies. Alguns quintais floridos e com frutíferas diversas são visitados o ano todo por beija-flores variados, cambacicas, fim-fins, ferreirinhos-relógio, periquitos, sanhaçus, bem-te-vis e tantas outras, incluindo-se até rapinantes. Há praças à beira-rio onde curutiés, saracuras, lavadeiras mascaradas etc. fazem seus shows.

Lençóis Paulista é, de fato, um bom lugar para passarinhar. Uma das provas disso é que o autor, para fazer as 140 fotos publicadas no WikiAves, jamais utilizou qualquer aparato tecnológico para atrair os bichinhos. Nada de play-back, nada de armadilhas, cevas ou truques estressantes. Apenas a câmera, uma lente limitadíssima – 70-300 mm – e a própria visão. Nem mesmo se vale da audição, já comprometida pelo longo passar dos anos.

Àqueles que usam play-back ou outros truques estão reservadas as espécies que se escondem na mata e que só se mostram quando atraídas por esses meios.

Então, colegas passarinheiros, eis aqui a dica: venham passarinhar em Lençóis Paulista! Se ficou interessado, entre em contato pelo Wikiaves e passarei informações mais detalhadas sobre meus lugares favoritos para fotografar.