As corujas são aves fantásticas e misteriosas. Toda a sua estrutura é adaptada para viver, com sucesso, à noite. Sua visão é muito poderosa, podem voar perfeitamente na escuridão quase total, evitando galhos e outros obstáculos e surpreendendo sua presa. Sua capacidade auditiva é tão aguçada que consegue detectar um roedor caminhando na mais completa escuridão. Essas características somadas ao seu comportamento pouco conhecido tornam as corujas ainda mais fascinantes. Originalmente publicado em www.avesderapinabrasil.com

Willian Menq é ornitólogo e mestrando em zoologia em Londrina – PR. Willian é apaixonado por aves de rapina (águias, gaviões, falcões e corujas) e criou um site especializado para o tema, o excelente www.avesderapinabrasil.com

Informações enviadas em março de 2012.

 

Existem em todo o mundo aproximadamente 210 espécies, numero que vem aumentando com as ultimas descobertas e revisões taxonômicas. Em nosso país existem 23 corujas, sendo a maioria associadas ao ambiente florestal. Portanto, o melhor ambiente para observar essas magníficas aves é nas florestas.

Pelo fato de serem em grande parte noturnas e florestais, a observação é muito difícil necessitando de técnicas específicas. A melhor delas sem dúvidas é o playback, este é praticamente fundamental para conhecer as espécies de um determinado local, sem o uso dele seria difícil “descobrir” quem esta por ali. O playback consiste na reprodução da vocalização de uma determinada espécie (usando aparelho de som), esperando que a mesma responda os chamados. Geralmente as corujas respondem achando que é um parceiro (a) ou um intruso invadindo seu território. Para realização desta técnica é necessário o uso de um aparelho de som, e que ele tenha potência suficiente para ser ouvido a pelo menos 200 m de distância. Caixinhas de som ligadas a Ipod ou aparelhos celulares são eficientes para realização da técnica. Existem também, aparelhos de som portáteis movidos a bateria que possuem entrada direta para pendrives e cartões de memória e com som de boa qualidade.

O observador ao ir a campo, deve escolher um ponto adequado para a realização do playback, preferencialmente em áreas no interior da mata onde a vegetação é mais densa. O tempo de reprodução de cada gravação deve ser no máximo dois minutos, sendo necessário pelo menos três minutos de espera, já que algumas corujas demoram um pouco para responder. A vocalização das espécies pode ser baixada em formato mp3 em alguns sites na internet, como no Xeno Canto (xeno-canto.org). Para um melhor resultado, os sons podem ser tratados usando programas como o Audacity, onde é possível eliminar ruídos/barulhos de fundo. O playback é muito eficiente, se houver corujas na área provavelmente elas responderam. Algumas não respondem o playback, simplesmente se aproximam. E como possuem um voo silencioso, raramente o observador percebe sua aproximação. Por isso, é interessante após a reprodução do som, vasculhar com a lanterna as árvores do local, pode acontecer de encontrar uma coruja pousada por ali mesmo ou sobre sua cabeça. O observador pode iluminar com a lanterna diretamente na coruja, a luz pouco afeta essas aves.

É importante lembrar que o playback deve ser usado moderadamente, seu uso prolongado pode estressar as corujas, causar perda de território e até mesmo alterar distribuição de indivíduos. Outro cuidado que o observador deve ter é evitar a reprodução próximo a ninhos (ocos e cavidades de árvores) ou locais com suspeita de ninhos. No caso de tocar o som de várias espécies no mesmo ponto, o ideal é começar reproduzindo sempre das espécies menores (Glaucidium, Megascops) para as maiores (Pulsatrix, Bubo). Dessa forma, o observador evita que as pequenas corujas sejam inibidas pela “presença” das maiores. Uma medida para evitar atrair o mesmo indivíduo em áreas diferentes é estabelecer uma distância mínima de 400 metros entre os pontos.

As corujinhas do gênero Megascops, estritamente noturnas, respondem quase que prontamente ao playback, estando bem ativas nos primeiros minutos após o escurecer. As corujinhas do gênero Glaucidium, já começam a ficar mais ativas no final da tarde estendendo até o inicio da noite e pouco antes do amanhecer até as primeiras horas da manhã. Corujas maiores e de interior de floresta como as grandes Pulsatrix e as do gênero Strix, são mais ativas nas três primeiras horas da noite, com picos de atividades ao longo da madrugada. Mas de forma geral, os melhores horários para observação de corujas (horário com maior numero de espécies em atividade) é nas três primeiras horas da noite após o escurecer e nas duas horas antes do amanhecer. O melhor período do ano para encontrar as corujas é na época reprodutiva dessas aves, que varia de acordo com a região do Brasil. O clima ideal são noites quentes e claras. As fases da lua parece influenciar a atividade das corujas, noites de lua cheia ou quase cheia são ideais para a observação da maioria das espécies.

Dicas e segurança

  • Conheça a área que irá visitar durante o dia, e estabeleça os pontos mais adequados para ocorrência das espécies que deseja observar.
  • Jamais perturbe as corujas, tente ser o mais discreto possível durante as caminhadas e observações, estressar muito a ave pode fazer com que ela abandone a área.
  • Leve baterias/pilhas reservas para a Lanterna.
  • Avise alguém onde você está indo e quando irá retornar.
  • Leve celular com bateria carregada.
  • Leve um casaco ou uma blusa, pois mesmo no verão as noites na floresta costumam ser mais frias.
  • Durma, descanse antes de ir a campo observar corujas.
  • Não dirija cansando.
  • Quando visitar áreas privadas, peça autorização aos proprietários.
  • Para evitar surpresas, consulte a previsão do tempo.
  • Usar repelente é fundamental, ele auxilia na proteção contra mosquitos que podem transmitir doenças como a dengue, malária e leishmaniose.