(…) Depois de muitas idas e vindas aos fragmentos, como sempre passando pelos cafezais observamos que aves que ocorrem nesta vegetação como tico-tico, canário-da-terra-verdadeiro, tipio, tiziu, choca-de-chapéu-vermelho, papa-capim-de-costas-cinzas, tico-tico-rei-cinza, ferreirinho-relógio, teque-teque, entre outros, constroem seus ninhos em meio aos pés de café em emaranhados de galhos e galitos.

Choca-de-chapéu-vermelho (Thamnophilus ruficapillus) Rufous-capped Antshrike em cima de um pé de café

 

  • Texto e fotos: Vitor Herdy
  • Câmera: Sony DSC-HX100v
  • Mais informações sobre a cidade de Divino – MG, clique aqui.

Todos nós observadores de aves sabemos que a observação de aves é possível pelos mais variados tipos de vegetações. Em Divino, cidade do interior de Minas Gerais, Zona da Mata mineira, observando com o decorrer de muito tempo, vi que se encontram muitas espécies de aves em plantações de arroz, milho, feijão, café, etc.

Entre essas plantações, a que mais se destaca é o cultivo do café que é o que predomina na região como a melhor fonte de renda aos pequenos, médios e grandes produtores.

Para ir a vários fragmentos de Mata Atlântica, o caminho percorrido rende sempre um novo registro e uma observação especial. Depois de muitas idas e vindas aos fragmentos, como sempre passando pelos cafezais observamos que aves que ocorrem nesta vegetação como tico-tico, canário-da-terra-verdadeiro, tipio, tiziu, choca-de-chapéu-vermelho, papa-capim-de-costas-cinzas, tico-tico-rei-cinza, ferreirinho-relógio, teque-teque, entre outros, constroem seus ninhos em meio aos pés de café em emaranhados de galhos e galitos. Abril a agosto é a época que muitas aves estão em período de descanso reprodutivo e não estão nidificando, é justamente a mesma época da colheita do café, quando as lavouras são detonadas por máquinas e por colheitas manuais. Sem sombra de dúvidas as aves somem. E se refugiam em outros locais até o término da colheita. No fim de agosto as lavouras começam a voltar ao normal e as aves começam a aparecer novamente. Ou seja, com a detonação dos cafezais elas se refugiam em outros locais até o término da colheita para que possam estar construindo os seus ninhos novamente nos cafezais logo após o fim da colheita nos meses de outubro, novembro e dezembro.

A literatura diz que onde há alimento, elas vão se reproduzir. Mas a questão dos cafezais nem é tanto a alimentação, mas sim uma questão de refúgio mesmo. Podendo sim haver alimento no estrato baixo no solo em meio aos pés de café, como larvas, insetos, etc.

Além é claro, dos cafezais geralmente serem cercados por pastagens de gramíneas e braquiárias onde as aves que se alimentam de sementes se esbaldam.