Anfíbios e répteis  sempre renderão boas imagens, com suas cores e comportamentos peculiares. Procure andar atento à vegetação, à água, e a todos os detalhes. Quem sabe você não registra alguma espécie que nem é ao menos conhecida pela ciência?

Sapinho-pingo-de-ouro (Brachycephalus ephippium) registrado na Mata Atlântica de São José dos Campos-SP

 

Texto e fotos: Tomaz Melo

Sempre que passarinhamos acabamos tendo contato com paisagens fantásticas e seus diversos e curiosos habitantes, alguns grandes, outros pequenos, mas todos perfeitamente integrados ao contexto do ambiente natural.

Entre algumas das criaturas que mais gosto de encontrar estão anfíbios e répteis. O Brasil é um país riquíssimo nesta fauna contando atualmente com 946 espécies de anfíbios e 732 espécies de répteis. Esta é uma riqueza ímpar no mundo, porém infelizmente muitos animais estão declinando rapidamente sem ao menos serem conhecidos.

Diferente das aves que são bastante conspícuas os anfíbios e répteis possuem como característica a discrição, sendo difíceis de encontrar e necessitando de cuidados diferentes. Quando a meta é fotografar um anfíbio que encontramos, devemos antes de tudo lembrar de que sua pele é permeável e, portanto, definitivamente não é uma boa ideia manipulá-los de qualquer forma. É importante que sua mão esteja livre de produtos químicos como repelentes. Cada espécie apresenta um comportamento diferente, alguns ficam parados e permitem várias fotos, outros tentam fugir rapidamente.

Outra dificuldade é encontrá-los, não são todas as épocas que são propícias para achá-los. Seu pico de atividade ocorre na estação quente, principalmente após longos períodos de chuvas quando se reúnem em corpos da água para atrair parceiros, facilitando muito localizá-los. Registros fora da temporada reprodutiva são mais ocasionais. Assim como as aves, com um pouco de prática passamos a conhecer suas vocalizações facilitando saber quem é o autor da sinfonia. Algumas espécies possuem vocalizações bem distintas como Hypsiboas faber a famosa perereca-martelo, seu canto lembra uma batida forte e continua muito interessante de se ouvir, ou da Physalaemus cuvieri que lembra um latido. Uma dica é levar um gravador e registrar sua vocalização, quando reproduzida, alguns indivíduos podem se aproximar, assim como o playback com as aves.

Procure-os em na beira de riachos, lagoas, brejos, cursos da água e na serapilheira na mata. Suas chances aumentarão quando sair à noite, pois uma grande parte das espécies tem hábitos noturnos e é o horário que costumam vocalizar. Ao fotografá-los costumo usar filtros close-up, já que ainda não possuo uma macro para captar melhor os detalhes.

Os répteis são um grupo bem diverso, lagartos, jacarés, tartarugas e serpentes costumam ser localizados tomando demorados banhos de sol. Os lagartos costumam ser bastante ariscos, fugindo rapidamente, já algumas tartarugas permitam boa aproximação. Serpentes costumam se esconder sob troncos, pedras, cupinzeiros ou na vegetação arbórea. Para fotografia de répteis é importante o uso de uma pequena tele, de 200mm ou 300mm, já que a maioria não permite tanta aproximação e não é prudente se aproximar de serpentes que não temos certeza absoluta se não são venenosas.

Uma coisa importante para aqueles que gostariam de fotografas esses animais é tentar registrá-los no local onde vivem, não os tirem do contexto onde os encontrou apenas para a foto ficar com uma composição bonita, vejo muitas fotos de anfíbios e répteis colocados propositalmente em flores coloridas ou sobre folhas verdes para a foto ficar interessante, mas do ponto de vista de fotografia de natureza a foto perde muito significado biológico. Por exemplo, nunca iremos encontrar um sapo-de-chifres Proceratoprys boiei sentado em uma flor bonita da Mata Atlântica, pois esta espécie vive sobre a serapilheira…

Para a Mata Atlântica uso o guia “Anfíbios da Mata Atlântica”, de Célio F. B. Haddad, Luís Felipe Toledo e Cynthia P. A. Prado – Editora Neotropica. Possui ótimas fotos de 180 espécies que ocorrem no bioma e facilitam a identificação. Para as serpentes recomendo “Serpentes da Mata Atlântica: guia ilustrado para a Serra do Mar”, de Otavio A.V. Marques, Andre Eterovic e Ivan Sazima. Para uma identificação mais segura consulte algum herpetólogo, mas lembre-se que nem todas as espécies são possíveis de identificar apenas por fotos.

Anfíbios e répteis  sempre renderão boas imagens, com suas cores e comportamentos peculiares, procure andar atento à vegetação, à água, e a todos os detalhes. Quem sabe você não registra alguma espécie que nem é ao menos conhecida pela ciência?

Sapinho-vermelho (Brachycephalus pitanga) registrado na Reserva Guainumbi, São Luís do Paraitinga-SP

Cascavel (Crotallus durissus terrificus), filhote em ecdise, a muda de pele das serpentes

Perereca-martelo (Hypsiboas faber) registrada em Jacareí-SP