Do macro ao microcosmo. Parte final da aventura com os amigos Peterson Bachin e Marcelo Haeitmann pelo Pantanal e depois na Chapada dos Guimarães

 

 

Vista panorâmica em 180 graus da Chapada dos Guimarães

Escolhi esta imagem panorâmica da Chapada para iniciar este post pois ela nos dá uma pequena noção de nossa dimensão diante da grandiosidade desta nossa casa, a quem chamamos de Terra e que tão gentilmente nos acolhe.

Quando chegamos a um local como este e temos o privilégio de admirar tamanha beleza é natural que algo dentro de nós comece a se inquietar – parece que nosso cérebro tem dificuldade em processar tal informação – afinal em nossa arrogância natural, presumimos sermos o “centro de todas as coisas” e frente a isso tudo vemos que somos minúsculos seres, provavelmente células componentes de um organismo maior, vivo e em transformação constante.

Nesse instante em especial, pudemos ver ao nosso lado esquerdo o sol iluminando as montanhas, emolduradas pelo céu límpido e a nossa direita uma enorme massa de nuvens despejando uma chuva torrencial sobre uma grande área – forte a ponto de não podermos definir o que havia naquela região – e novamente dando lugar ao mesmo sol sobre o mirante.

Para se ter uma noção das distâncias contidas, essa massa de chuva demorou quase 50 minutos para chegar ao ponto onde estávamos e cobriu toda a área ao redor do mirante e do centro da cidade com suas águas.

5º DIA – A CHAPADA DOS GUIMARÃES

Hora de carregar as bagagens, despedir-se do Pantanal e seguir viagem!

Saímos bem cedo de Poconé em direção à Chapada dos Guimarães, mas acabamos demorando muito para conseguir cruzar a cidade de Cuiabá, devido a uma infinidade de obras pela principal avenida que nos levaria ao nosso destino, conclusão…chegamos ao local por volta de 11 horas da manhã, com um sol escaldante em nossas cabeças.

Nossa 1ª parada foi na cachoeira Véu da Noiva, um complexo administrado pelo ICMBio, onde você percorre uma trilha de 500 m sobre uma plataforma de madeira, chegando a um pequeno mirante do qual é possível ver e admirar a queda d`água de 86 metros que empresta o seu nome ao local.

Na trilha pudemos encontrar uma vegetação típica do Cerrado e a poucos metros da portaria o Peterson ouviu o som de uma ave escondida entre os arbustos. Com o auxílio de seu inseparável gravador conseguiu gravar o mesmo e reproduzi-lo em seguida. Em poucos instantes o autor da música se aproximou para que pudéssemos fotografá-lo…tratava-se de um tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata).

Outras aves surgiram, mas como não podíamos sair da trilha demarcada ficou difícil se aproximar para o registro fotográfico. No final da trilha nos rendemos a beleza de mais uma manifestação grandiosa da natureza…a cachoeira Véu da Noiva!

Infelizmente a maior parte das trilhas que nos levariam mais perto da cachoeira só poderiam ser feitas com a contratação de guia local especializado. Outras estavam interditadas pelo ICMBio, mas segundo um guia que ficou nos seguindo e insistindo que com um “jeitinho” dele e um intere$$e nosso conseguiríamos, mas como não aprovamos este tipo de conduta, recusamos polidamente a oferta.

A Chapada dos Guimarães é frequentada por pesquisadores, mas também por místicos que acreditam ser este local um ponto de confluência de energias poderosas. Para eles o encontro de tais energias cria Portais Dimensionais que já eram conhecidos por civilizações antigas.

Não sei se isto é verdade, mas posso afirmar que se ficarmos por um bom tempo admirando o encontro das águas que despencam da cachoeira com as águas do lago, e que resultam em uma fina bruma que por sua vez, refletem a luz do sol e acabam por criar um caleidoscópio de cores hipnotizantes, qualquer um “viaja” para outra dimensão.

Mas voltando à nossa dimensão… ficamos pouco tempo ali pois ainda faltava encontrar o nosso 3º mega – lifer de nossa viagem, estou falando do udu-de-coroa-azul e o local para onde iríamos era o Vale da Benção.

O VALE DA BENÇÃO-OU SERIA DA SORTE?

Seguimos as indicações para o local – e não tínhamos a menor ideia de como era – chegando a uma pequena entrada junto a rodovia. Seguimos por algumas centenas de metros ladeados por terras recém aradas até chegarmos a uma área com uma mata bem fechada – na verdade um pequeno bolsão – cortado apenas pela pequena estrada de terra que despencava subitamente em uma ladeira íngreme, escorregadia e por onde só passaria um veículo de cada vez. Nesse ponto o Peterson me alertou – talvez já sentindo a minha ansiedade – que o nosso “alvo” era muito arisco, não respondia a playback e que as nossas chances eram pequenas.

Bom… mas em um lugar com este nome e com a nossa sorte nos acompanhando?

E após termos percorrido poucos metros da já citada ladeira o Peterson freia o carro bruscamente e grita:

“Olha o udu ali!!!”

Nessa altura nem eu acreditei, achei que estava de sacanagem comigo, mas comecei a considerar a possibilidade de ser verdade quando ele saiu correndo do carro com a câmera nas mãos.

E era verdade mesmo! A poucos metros de nós, pousado calmamente em um galho as margens da estrada estava o nosso tão desejado 3º mega-lifer, o udu-de-coroa-azul.

Carregava em seu bico um suculento inseto mas não se dispunha a comeê-lo, mudou de galho algumas vezes e ainda assim não engolia o inseto, ficando o tempo todo a nos observar. Por este comportamento presumimos que estava na verdade levando o alimento para seu ninho e esperava que saíssemos dali para que não denunciasse o paradeiro do mesmo.

Nesse momento aconteceu aquilo que temíamos, um veículo chega por trás de nós e não consegue passar, obrigando-nos a entrar no carro e seguir adiante até que encontrássemos algum ponto que permitisse a ultrapassagem.

Mais algumas fotos para garantir e seguimos adiante sem poder acreditar na sorte que tivemos novamente, naquele local abençoado.

Vou admitir que a partir daquele momento não queria mais nada, mas seguimos em frente e conseguimos mais alguns registros ainda. Passamos por mais alguns locais mas nada de especial foi encontrado.

Resolvemos então seguir até o centro da cidade para podermos almoçar e encontramos um local com diversas opções gastronômicas. Pensei em experimentar a especialidade local, a tal de “Maria Isabel”, mas não me senti bem com ideia de comê-la e resolvemos optar pelo Restaurante Comida Popular, um pequeno estabelecimento com sistema self-service e preço único. Bem servido, vale a pena!

Seguimos em direção ao Mirante do Centro Geodésico onde realizei a foto panorâmica , o Peterson desceu pela encosta do platô para fotografar um bando de andorinhões e o Marcelo resolveu explorar a extremidade oposta do platô.

Peterson voltando ofegante da escalada triunfal.

Vendo que a massa de chuva se aproximava de nós resolvemos voltar a segurança da cidade, para garimparmos alguns souvenires e tomarmos o famoso sorvete do Mazinho, um patrimônio local. Uma pequena sorveteria que serve picolés e sorvetes de massa, com sabores de frutas típicas do cerrado, como açaí, cupuaçu e outros nomes que não consigo lembrar agora, mas que ficarão em minha memória degustativa para sempre.

 

O MICRO – COSMO

É normal quando estamos em locais de tamanha grandiosidade que nos esqueçamos de olhar para baixo, para as pequenas coisas que nos rodeiam e acabamos por perder as oportunidades de conhecer um novo universo.

Mas se seguirmos a mesma ideia usada no início desta postagem e pensarmos em tudo como pequenas células de um organismo maior, poderemos começar a voltar a nossa atenção para coisas cada vez menores em tamanho mas de complexidade impressionante.

Comecei então a observar o nosso caminho, por onde nosso veículo passava, nos arbustos em que esbarrava,buscando por imagens deste novo universo. E encontrei várias…

 

 

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