O campo em que passei mais de uma hora observando um bandinho de tuins, em Jacutinga, abril de 2011, não existe mais. Incêndio criminoso, duas vezes em uma semana (em outubro), apesar de ser área de mata ciliar. A hipótese é que o incêndio teve o objetivo de aumentar a área de pasto do terreno.

Por uma questão simbólica, é motivo pra parar com o consumo de carne de boi. Soja e gado extensivos, que tragédia pra natureza brasileira. Não sou vegetariana, não tenho restrições alimentares religiosas ou morais, mas pra qualquer lugar que eu vá, o que eu ouço e vejo é que o grande vilão do desmatamento atual é a soja e o gado de corte. E o gado duplamente, porque uma boa parte da produção da soja é para ração do gado.

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_449281.shtml

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,desmatamento-e-maior-em-5-estados,441511,0.htm

http://www.oeco.com.br/reportagens/23652-altas-apostas-no-cerrado

Então eu vou tentar.  Gosto de frango, peixe, porco, carneiro. Vou sentir saudade do steak tartar, do quibre cru, da rabada, picanha, fraldinha, do hamburguer de verdade. Vou continuar não tomando os leites de soja, apesar de terem gosto bom. Não preciso tirar a carne moída do mussaka que minha sogra faz, não é uma questão religiosa. Mas posso escolher não comprar mais bife, não pedir mais nenhum prato com carne de boi em restaurantes.

Eu sempre soube que gado de corte era um problemão, mas agora que estou me envolvendo cada vez mais com as questões do meio ambiente, e agora que ocorreu esse incêndio num lugar em que eu estive, em que eu acompanhei os tuins… agora não tem mais como ignorar.

Vou sentir saudade de muita coisa, mas eu concordo que nosso poder como cidadão não é apenas no dia das eleições. Cada compra, cada escolha é um voto. E não dá pra votar num modelo de negócio que ignora o futuro

 

Obs: escrevi esse post em outubro de 2011. Em fevereiro de 2012, quando repassei do photorats para a virtude-ag, continuo na minha resolução, já conseguindo até devolver para a travessa o bife que meu pai tinha colocado no meu prato, expliquei em voz baixa, sem interromper a conversa dos outros na mesa, que eu tinha parado de comer carne de boi para contribuir com a diminuição do desmatamento. Para esse tipo de coisa não sou panfletária, não vou encher o saco de ninguém dizendo que todo mundo devia parar de comer carne de boi, cada um faz as suas escolhas. Não proíbo o Cris de comer, ou de aproveitar os almoços com os clientes para comer carne de boi, já que no nosso congelador não tem mais.