Amigos,

A partir de agora minha esposa, a jornalista Camila Machado, passará a me ajudar na produção e organização do conteúdo do site, inclusive aqui no blog. (Alessandro refere-se ao blog do seu site: www.alessandroabdala.com)

Seus depoimentos pretendem exprimir a visão de uma iniciante na atividade de fotografia de aves e mostrar que o birdwatching pode ser praticado por qualquer pessoa.

Abraços, e fiquem com o texto da Camila.

Alessandro Abdala.

Sou a Camila Machado, esposa do Alessandro. Me formei em jornalismo porque gosto de escrever. Quase nunca saí para observar pássaros, apesar de achar a atividade algo interessantíssimo, surreal na verdade. Este ano será diferente… Vou observá-los e escrever aqui nossas aventuras nos Sertões das Gerais e quem sabe no mundo todo. Pretendo passar aos leitores a visão de uma iniciante, intercalada com a do já experiente Alessandro Abdala sobre o mundo do birdwatching. Espero que se divirtam com a gente!

Já observei pássaros antes, não por vontade própria, mas por estar acompanhando meu querido companheiro que vive com passarinhos na cabeça, literalmente. Pela nossa convivência, conheço algumas espécies, algumas vocalizações… sei bem que observar é uma paixão, daquelas avassaladoras, que deixam o olhar vivo e os ouvidos atentos, emoções a mil.

Temos buscado um novo olhar na fotografia de aves. Imagens que fujam do 3×4 da ave e busquem retratar o ambiente contextualizado com os seres que o habitam. Nessa foto, a típica paisagem rural do interior de Minas Gerais onde os polícias-inglesas-do-sul (Sturnella superciliaris) aproveitam os moirões de cerca como poleiro. Foto de Camila Machado, usando uma Nikon D40 + 300mm f/2.8.

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Em minha primeira experiência como observadora e fotógrafa de aves procurei fazer fotos que mostrassem o ambiente em que a ave vive, como esse campo florido que o polícia-inglesa escolheu para pousar. Sei que o foco não está preciso, e a ave é um pontinho pequenininho no meio da cena, mas a intenção é mostrar algo mais que o retrato de um passarinho com penas bem definidas.

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Aqui uma foto do polícia-inglesa feita pelo Alessandro com a 600mm, no estilo tradicional de dar ênfase na ave com fundo limpo e boa definição.

sturnella

Conheço várias espécies através das fotografias do meu observador preferido, Alessandro Abdala, não vou negar que mesmo sendo uma atividade cansativa (no sentido físico), observar minha espécie preferida fora da tela do computador (soldadinho, ô bichinho bonito!) foi uma das maiores emoções que já tive. Na foto ele parece grande e imponente com o seu chapéu vermelho, mas lá no meio da mata úmida é um bichinho tão pequeno, quase invisível, e seu penacho parece uma tocha, a natureza é realmente algo incomparável.

O soldadinho (Antilophia galeata) foi o responsável pelo meu despertar para a observação de aves.

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Observar pássaros para mim era uma missão quase impossível, fotografar então, um sonho. Como focar um ser tão pequeno? Essa será minha missão em 2014, que foi iniciada no último sábado. Dia nublado, mas quente, pouco vento, entorno da Serra da Canastra, cerrado mineiro. Fomos nós na nossa valente Bandeirante à procura do clique perfeito.

Típico cenário rural do entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra, por onde andamos procurando as aves. Foto de Camila Machado.

passagemparalgumlugar

Não, à procura dos passarinhos, o que quisesse aparecer para nós, fazer pose e nos encantar com sua presença, a prioridade era observar e se a situação permitisse, eternizar o momento com um registro fotográfico. Tenho certo conhecimento em fotografia, mas jamais fotografei pássaros. Era o meu debut na fotografia do seguimento, e a primeira regra é sempre força e foco.

O cochico (Anumbis anumbis) constrói um ninho grandão, com gravetos e outras coisas que ele coleta com o bico.

cochicho_flying

Muita força para segurar a tele de abertura 2.8, e ao mesmo tempo conseguir focar o pássaro. O primeiro que nos deu o ar da graça e ficou voando o seu voar amalucado foi o polícia-inglesa-do-sul (Sturnella superciliaris), muito bonito, com seu vermelho vivo em contraste com o preto fosco. Consegui algumas boas fotos.

A foto mais fácil, os quiri-quiris (Falco sparverius) são calmos, ficaram pousados um bom tempo, os galhos secos permitiram uma composição interessante. Não saí do carro para fazer a foto e usei a janela da Bandeirante como apoio.

quiriquirisaterrorizantres

Depois vieram um casal de cochichos (Anumbis anumbis) fazendo ninho, uma noivinha-branca (Xolmis velatus) solitária, um casal de quiri-quiris (Falco sparverius) fazendo pose, urubu-rei (Sarcohamphus papa) voando bem alto no topo da serra, e o melhor de todos: o gavião-caboclo (Heteropizias meridionallis), todo bonito com o seu voo cinematográfico, com direito a fotografá-lo devorando uma presa e depois em voo (sonho de consumo, sempre quis fotografar aves em pleno voo).

O gavião-caboclo capturou uma presa e veio comer nesse tronco, a vítima era uma ave pequena, acho que uma codorna.

lunch

Estávamos perseguindo o gavião, que logo encontrou o seu par. No primeiro momento não consegui pegá-lo em pleno o voo, mas depois ele não me escapou e realizou um dos meus sonhos. Aves de rapina voando são um encanto só, para mim são os voos mais bonitos.

No final do dia flagramos um grupinho de canários-da-terra brigando, provavelmente pela disputa de território.

fight

Nosso dia só não foi mais produtivo devido à chuva que caiu incessantemente (fato comum na região da Canastra nessa época do ano), mas a minha iniciação foi precisa, certeira, começo a entender a poderosa vontade que move os birdwatchers, a busca incessante pelo vislumbre de momentos sublimes. Quero voltar novamente, com mais força e foco.

 

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