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Observação de Claudia Komesu, editora do Virtude-AG: Já havia conversado com a Juliana por e-mail, mas só neste ano tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente. Logo descobrimos que nossos santos batem, temos papeado bastante e passarinhado sempre que possível. 

Talvez algum leitor do Virtude se pergunte “o que este post sobre moda e natureza tem a ver com o Virtude?” E eu respondo: tem tudo a ver. A Juliana, além de nos contar com muita franqueza sua relação com o meio ambiente, realiza um trabalho que eu adoraria ver outras pessoas fazendo também: mostrar como a natureza pode fazer parte da nossa vida. De uma forma leve e divertida, ela atrai o interesse das pessoas  para esse tema que precisa de toda a divulgação possível.


Eu sempre soube que faria algo na vida que influenciasse o bem-estar dos animais e a preservação da natureza

Nasci em São Paulo, mas cresci viajando todos os fins de semana para o interior. Uma cidadezinha chamada São José do Rio Pardo, SP. Nos poucos fins de semana que minha família não viajava, sempre pedia que meu pai me levasse para os mesmos lugares: Simba Safari, Zoológico ou Parque da Água Branca. Minhas irmãs odiavam… :) Elas queriam ir ao shopping, ao cinema. Mas eu queria mesmo ver bicho. Ainda bem que meu pai também preferia ver bicho. E lá íamos nós para os mesmos lugares.

Quando tinha 13 anos, com a aposentadoria do meu pai, minha família se mudou para a tal cidadezinha. E então, foi como se meu contato com a natureza se intensificasse mais ainda! Muita terra e árvores no quintal, muito passarinho, muito passeio de bicicleta no meio da mata da Tubaca – nossa mini “floresta” – e sempre acompanhando meu pai nas suas pescarias. Nessas, depois de umas 2 horas pescando, me cansava. Não de ficar na beira do rio, mas de pescar. Meu pai se preocupava e achava que eu queria voltar pra casa. Mas eu só queria ficar lá, sentadinha, olhando o rio passando por mim, o sol brilhando sobre as águas, os passarinhos voando, cantando. Era uma poesia pra mim!

Lembro-me até hoje de uma tarefa escolar: precisávamos desenhar o mundo que imaginávamos em 10 anos! O que eu fiz? Um planeta Terra derretendo, como um sorvete. Nele, um guindaste segurava um ímã gigante – mais ou menos do tamanho do Brasil – que trazia o sol para perto! De alguma forma, aos 10 anos, estava pensando no aquecimento do nosso planeta! Também me lembro de quando fui à Polícia Florestal de São José do Rio Pardo para denunciar meu amiguinho que tinha acabado de matar um passarinho com estilingue. Eu tinha uns 12 anos.

É, de alguma forma, eu queria fazer alguma coisa.

Veio a vida adulta e toda essa paixão se represou em algum canto escondido do meu coração. Aos 23 anos, voltei para a Selva de Pedra. São Paulo era uma aposta promissora! Depois de alguns anos, me estabilizei na carreira de publicitária. Porém, com minhas referências “caipiras”, ainda mantinha hábitos simples. Adorava caminhar logo cedo no Ibirapuera para ouvir o canto dos pássaros e curtir os primeiros raios de sol do amanhecer. Quando tinha visitas, em especial meus sobrinhos, íamos ao Zoológico passear. Acredite, depois de crescida eu ainda curtia!

Na carreira, a cada dia, ganhava mais destaque. Mas uma coisa me segurava, me impedia de ir mais longe: meu guarda-roupas!

Para ter um guarda-roupas eficiente – onde todas as peças combinassem – apostava em itens clássicos e em cores sóbrias. Preto, branco e cinza reinavam! Além do fato de serem fáceis de combinar, eram certeiros! Não tinha como dar errado! Mas será que não tinha mesmo?

Aos 26, 27 anos, eu tinha um guarda-roupas de uma senhora séria, bem-sucedida de 50 anos! E que, com certeza, trabalhava no mercado financeiro! Sem preconceitos, OK? Apenas para reforçar o “uniforme” sóbrio: saias, camisas, blazers. Mas eu trabalhava em Publicidade! Um mundo moderno, ousado! Representava uma agência que queria ser reconhecida como criativa! E precisava expressar isso de alguma forma no meu visual que era a primeira impressão que meu cliente teria do lugar onde trabalhava! Eu precisava cuidar da Direção de Arte da minha vida!

Mas e agora? O que eu poderia fazer?

Lógico! A resposta era clara! Estava lá dentro do coração: minha paixão por animais e pela natureza me ajudaria na hora de montar um look! Loucura? Não! Afinal, na natureza não tem brega!

Comecei a me lembrar dos lindos animais que via quando criança. De todas aquelas paisagens e momentos mágicos. E pensava: se um tuiuiú é branco, vermelho e preto, é sinal de que essas cores funcionam bem juntas! E então, havia acabado de aprender uma coisa: combinar as cores!

Uma vez, enquanto me arrumava para um jantar, assistia a um programa no NatGeo quando vi essa cena: um leopardo comia uma zebra. E então, um close no leopardo com a boca toda cheia de sangue. Eu sei, a cena é forte. Mas na hora montei um look com uma blusa de estampa de onça (não tinha uma blusa com estampa de leopardo) com uma saia vermelha! Ficou lindo! E assim, meu guarda-roupas ganhou cores e vida!

Numa noite, enquanto conversava com meu marido, veio a ideia de criar um blog que ensinasse outras mulheres a se inspirarem em animais na hora de montar um look. E lógico, esse blog teria uma missão importante: levar conhecimento para pessoas! Em especial, pessoas que não se ligaram na importância da preservação e conservação da natureza e dos animais!

Acredito que o conhecimento ajuda na conservação.

E assim aquela paixão que estava escondida no coração cresceu, ganhou força e um propósito! E eu ganhei novos e incríveis amigos! Pessoas que me ensinam muito e que me apresentam lugares maravilhosos onde posso me inspirar ainda mais!

Um beijo a todos!

Ju Diniz

 

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