• Texto: Tomaz Melo. Turismólogo e estudande de Ciências Biológicas na Universidade do Vale do Paraíba
  • Enviado em maio de 2012

Todas as pessoas que de alguma forma se identificam com a natureza procuram ter experiências com a fauna em vida livre. Quando falamos de observadores de aves, o desejo de ver todos os seres alados soltos transcende muitas vezes o bom senso. Muitos são a favor da abertura de gaiolas a todo custo, porém desconhecem os problemas desse ato.

É necessário ter conhecimento da espécie em questão e se ela ocorre no local, mas, além disso, é preciso saber se ao libertá-la não prejudicará todo o ambiente. Diversos problemas podem ser listados, como o risco de transmissão de doenças, a mudança da dinâmica ecológica ou a introdução de espécies exóticas. Para minimizar esses riscos se faz necessário estabelecer rígidos critérios, um planejamento bem delineado, um acompanhamento bem feito e a divulgação dos resultados.

Em adição a esses detalhes, apenas uma mínima parcela dos animais que são apreendidos cumpre os requisitos para a soltura, diferente do que é amplamente divulgado pela mídia. Aves com longo histórico de cativeiro podem não mais saber como sobreviver sem a ajuda de humanos, para estas a melhor solução é continuar em cativeiro, eventualmente até integrando algum programa de reprodução, caso seja interessante para conservação de sua espécie. Apenas indivíduos saudáveis, sem doenças e que apresentem comportamento condizente com a espécie devem ser incluídos nesses programas. Caso sejam selecionados, um monitoramento deve ser realizado por pessoal qualificado e os dados publicados, sejam positivos ou negativos.

Enquanto existir a procura por animais silvestres como bichos de estimação existirão apreensões. O destino adequado para cada animal é um grande desafio, diversas propostas são feitas e será difícil encontrar uma resposta que satisfaça a todos os gostos. Exemplos bem sucedidos, de sucesso de solturas e reintroduções existem, sobretudo no exterior (onde há mais pesquisa), fracassos e problemas gerados também. Temos o dever de planejar com atenção o que fazemos, e pensar melhor se abrir aquela gaiola do seu vizinho é mesmo a melhor solução.

 

 

A Virtude-AG não é a favor de aves em gaiola, mas também não critica a criação legalizada de aves. Para nós o inimigo a combater é o descaso com o meio ambiente, a destruição de habitat, a caça e o tráfico de animais, e a ignorância.

Para ajudar a natureza devemos fazer a nossa parte: alertar os ingênuos, denunciar os criminosos e aceitar que a soltura dos animais é uma decisão que envolve diversos aspectos, e que cabe ao biólogo responsável pelo caso julgar.

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