• Texto e fotos: Claudia Komesu
  • Passeio feito em outubro de 2015, mas post é de setembro 2017

Em outubro de 2015 fui pra Brasília com o Cris. Uma das rodadas do BSOP (o campeonato de poker), eu fui junto para passarinhar. Contratei de novo o ótimo Jonatas Rocha (http://www.wikiaves.com.br/perfil_zion).

No primeiro dia fomos passarinhar na Flona de Brasília, consegui ótimas fotos do capacetinho-do-oco-do-pau, o tapaculo-de-colarinho, sabiá-ferreiro, o chibum pousado num cenário bastante bonito, papa-moscas-do-campo – com certeza uma das minhas aves favoritas. Voando alto passaram caracará, gavião-de-rabo-branco. Almoçamos, depois fomos para um dos parques urbanos de Brasília, encontramos outros birdwatchers que nos mostraram um urutau e um ninho de picapauzinho-anão, na saída do parque vimos ninho de ferreirinho-relógio (era Big Day – eu não costumo participar, confesso que estava passarinhando no dia por coincidência, mas anotamos nossas espécies pra lista, comemoramos a cada espécie nova avistada, e graças à super-audição do Jonatas, enviamos uma lista com 93 espécies).

No final da tarde voltamos pra Flona, vimos coruja-buraqueira, pica-pau-do-campo, arapaçu-do-carrado, passamos por uma área, recém-queimada onde havia um lindo guaracavuçu caçando insetinhos. Ficamos no parque até o crepúsculo, porque o Jonatas disse que poderíamos ver o bacurazinho, uma ave que eu nunca tinha visto. Conseguimos mesmo.

No dia seguinte fomos passarinhar no Altiplano Leste, encontramos alguns amigos de Brasília. O Jonatas foi nos mostrar um local próximo a um ninho de gavião-bombachinha-grande. Eu só tinha visto essa ave uma vez, em Ubatuba, de relance. Dessa vez pudemos ver bem melhor, e mesmo no contraluz consegui uma foto bonita. Não vi o ninho (e nem ia querer chegar perto). Sempre me impressiona o que os bichos fazem pelos filhotes. Aves em geral arredias e ariscas se expõem para desviar a atenção do ninho ou para tentarem se impor como “esse é meu pedaço, estou de olho”.

Era um lugar de difícil acesso, com trilhas de pedras roliças, fácil escorregar, e íngreme. O Jonatas descobriu aquela área olhando pelo Google Earth, viu uma área de mata e decidiu ir perambular por lá. Numa das visitas acabou achando um ninho de gavião.

O Jonatas achou o ninho e estava tentando controlar a frequência de visitas, dando vários dias de intervalo entre uma visita e outra para não perturbar demais a ave. Ele me contou que no grupo de birdwatchers de Brasília teve gente que até brigou com ele por isso, considerando mesquinho da parte dele não liberar pra todo mundo a localização do ninho pra que todos pudessem fotografar à vontade. Ele ficou triste com as críticas, mas não cedeu. Infelizmente não são todas as pessoas que entendem que o ninho é uma fase muito delicada da vida da ave, a gente tem que tomar cuidado para não prejudicar. Nenhuma foto vale mais do que o bem estar do bicho.

Tivemos também ótimo avistamento daquela belezura do Cerrado, o campainha-azul. Vimos, mas não muito de perto, fura-barreira, canário-do-mato, pomba-galega, garrinchão-de-barriga-vermelha, saí-andorinha, e de novo o guaracavuçu.

Depois do almoço fomos ao Jardim Botânico, ficamos um tempinho na entrada, na portaria, onde há uma torneira famosa para as aves. O segurança permite que você ligue um pouco a água, deixe pingado um pouco, e o barulho da água logo atrai várias aves. Vimos cambacica, balança-rabo-de-máscara, pula-pula-assobiador, sabiá-barranco, calsa de saí-azul, tempera-viola, soldadinho.

Dentro do Botânico vimos estrelinha-preta, rapazinho-dos-velhos, pipira-vermelha, alguns tyrannideos que eu esqueci o nome e vou ter que identificar depois, choca-de-asa-vermelha, chibum. E fim do dia.

No terceiro dia do passeio fomos para uma Formosa – GO, perto de Planaltina. Região com árvores altas, pra mim pareceu uma área de Mata Atlântica em meio ao Cerrado. Pipira-preta, chorozinho-de-bico-comprido, fim-fim, saíra-de-papo-preto, bico-virado-carijó, soldadinho, peitica, arapaçu-verde, marianinha-amarela, sabiá-barranco. E uma árvore frutificando, pena que bem alta, mas havia sabiá-coleira, pica-pau-ocráceo, anambé-de-rabo-preto, surucuá-variado, caneleiro-de-chapéu-preto. Apesar das aves ficarem bem no alto, era tanta movimentação de aves que se eu pudesse voltaria lá no dia seguinte. Infelizmente o Jonatas não podia.

Depois que acabou o campeonato de poker do Cris, fomos dar uma volta em Pirenópolis. Como ficou fotos demais pra um post, dividi em dois.