Como é um passeio feito especialmente para fotografar aves?

Você pode sair para fotografar em qualquer horário, mas entre as 6h e as 10h30 da manhã é o melhor período. As aves estão mais ativas e a luz é mais bonita. Vou descrever como é a rotina de um passeio com um guia ornitológico.

No dia anterior você já deixa equipamento e roupas separadas (check list de preparativos). Café da manhã antes de sair. Se você está com um guia ornitológico, o ideal é que vocês já tenham combinado o que você quer ver. Se você não sabe o que quer, não tem problema ter falado que ele decide o passeio. Ele vai lhe dizer “vamos para a região tal, onde é possível vermos tais e tais aves”.

Chegando ao local, todos de olhos e ouvidos atentos e quanto menos conversa, melhor. O guia vai lhe apontar se vir algo. Ele também pode ouvir a vocalização de uma ave e tentar atraí-la com o playback. (Mais informações sobre o uso do playback).

O guia deve avisar que ouviu a espécie x e que vai tentar atraí-la. Fique próximo dele, e sempre ao lado ou atrás. Dependendo da espécie e do conhecimento do guia, ele poderá lhe falar “chega normalmente perto do chão”, ou “vai chegar pela copa. Vamos prestar bastante atenção que às vezes ela vem bem quieta, talvez já esteja aqui parada nos olhando”. Quando ela canta é mais fácil localizá-la, mas às vezes ela vem em silêncio.

O certo é que o guia só chame a ave quando as pessoas estiverem reunidas e concentradas, porque às vezes a ave aparece prontamente e no geral a primeira aparição é quando ela mais se expõe. Há espécies que demoram para atender. Um guia experiente já avisa “temos que esperar porque essa demora para vir”. Já passei por algumas poucas situações em que há diversas aves ao mesmo tempo e você nem sabe o que fotografar, mas são ocasiões raras.

De forma geral você vai caminhando pela mata ou pelo campo devagar e com tranqüilidade, e fotografa o que aparece até umas 10h30. Descansa na hora do almoço, volta a sair depois das 15h. No inverno costumo diminuir o horário do intervalo, já que lá pelas 17h começa a acabar a luz. Esse é um esquema mais tranqüilo, é claro que dependendo do seu entusiasmo você não quer parar para descansar, e sempre vai ter o que olhar e fotografar. Mas na hora do almoço a luz é pior, e depois de uns três dias nessa rotina, o cansaço acumula.

Um colega me perguntou: “mas vocês passam o dia todo no mato? Não cansa? Não é chato?” Passar o dia inteiro fora é bem cansativo sim. Mas na maioria dos lugares em que já saí para passarinhar há um pequeno restaurante ou boteco onde se pode parar pra comer, usar o banheiro, ficar sentado numa sombra, tomar uma bebida gelada. Em alguns lugares, se você não está longe do hotel, na hora do almoço pode voltar para descansar. De qualquer forma esse intervalo recarrega a bateria, logo você está ansioso para voltar a procurar as aves.

E há o fator adrenalina: quando uma ave que você queria muito ver aparece, ou quando qualquer uma pousa perto e lhe dá uma chance de fazer uma ótima foto, o coração dispara e desaparece todo o cansaço.