Birdwatching light no Sudeste da Austrália

  • Texto e fotos: Claudia Komesu. Aves com a Nikon D750 e Sigma 150-600, paisagens com a Canon S120 e a Olympus TG5. Viagem de família com o Cris e o Daniel. Vinte dias na parte baunilha da Austrália.
  • Este post mostra a parte terrestre. Logo faço o post do fishwatching.

Viagem com a família. Passarinhei e fiz fishwatching, mas de forma bem leve, passeios curtos. Dos 20 dias na Austrália, só teve 2 que eu pedi “quero conhecer tal lugar que dizem ser incrível pra aves”. Os outros momentos foram em intervalos das outras atividades. Sem guia ornitológico, sem playback, sem foco nas aves. Mas foi possível registrar 85 espécies de aves, inclusive 10 psitacídeos comuns (e maravilhosos) da região costeira de Nova Gales do Sul.

Quando você pesquisa birdwatching na Austrália a maioria dos roteiros fala de Queensland, o norte, que eu interpreto como a Amazônia deles em termos de avistamentos excitantes. Pra ter uma ideia, é a parte do continente que se aproxima de Papua Nova Guiné.

Achei um site que dá uma boa ideia do que pode ser fotografado na Austrália, especialmente o norte. Tem fotos boas de aves e, no ícone no canto superior direito, aparecem outras opções do menu inclusive descrições de onde ver as aves em cada região, com coordenadas GPS. http://laurieross.com.au/

Queensland também é onde fica a Grande Barreira de Corais, um dos lugares mais espetaculares do mundo pro fishwatching, e que está sendo destruído pelo aquecimento global. 1,5mil km de recifes estão morrendo, cerca de 2/3 do total da área.

Não fomos pra Queensland. Dezembro é verão, época chuvosa. No ano passado houve tempestades pesadas e há riscos até de furacões. Fora isso, quando convenci o Daniel a irmos pra Austrália tinha prometido uma viagem urbana, centrada em Sydney. Ficamos em Manly (um distrito grudado em Sydney), Katoomba (Blue Mountains National Park, a 1h30 de Sydney), depois pegamos um voo curto pra Coffs Harbour (desejo do Cris, área interessante pra snorkeling e mergulho, mas tivemos azar com o tempo), e depois voltamos pra Sydney.

 

O que há para fotografar de natureza em Sydney e arredores?

Birdwatching na cidade de Sydney

Sydney tem vários parques urbanos cheios de aves. Um dos mais famosos é o Centennial Park, que tem até app com tópico pra birdwatching. É um parque muito grande, com uma lista de umas 150 espécies. Dos 8 dias em Sydney (parte final da viagem), o certo seria ter ido todas as manhãs lá, mas reconheci que isso me deixaria muito cansada pra aguentar os passeios no resto do dia. E estava calor. No dia que eu e o Cris fomos (enquanto o Daniel dormia) pegamos 38 graus, um calor atípico pra Sydney. Fotografamos Long-billed Corella e Little Corella, dois psitacídeos que ainda não tínhamos visto em outros lugares, havia Sulphur-crested Cockatoo, cisne-negro endêmico, Pacific Black-duck, Hardhead, Australian Wood Duck, Dusky Moorhen, Purple Swamphen, Eurasian Coot, Australian White Ibis, Masked Lapwing, Super Fairy-wren. Mas o calor de 38 tornou tudo bem mais difícil, lá pelas 9h30 parecia só ter as aquáticas, nos arrastamos mais uns 40 minutos sem ver nada novo, e depois fomos embora. Pena que esse parque fica um pouco afastado do centro, não dá para ficar no centro e ir a pé.

O Jardim Botânico é um lugar muito bonito e bem cuidado, perto do centro (estávamos num apartamento que ficava a 2km dele, ao lado do Hyde Park). Só fui passarinhar uma manhã, e não aproveitei muito porque acreditei numa informação de internet que falava que abria às 9h, mas na verdade é às 7h. Apesar do horário ruim, no Jardim Botânico fiz minhas melhores fotos de Rainbow Lorikeet se alimentando de uma flor fúcsia espetacular. E tive a emoção de achar que finalmente havia avistado um coala (passamos a viagem toda tentando ver um, e queríamos ver na natureza, não em santuário ou zoológico), mas era um outro marsupial, um Common Brushtail Possum. Quando eu vi era apenas uma bolinha cinza numa junção de troncos, não dava para ver a cara. Fotografei achando que era coala, voltei no fim do dia com o Cris e o Daniel, mas daí ele já tinha se mexido um pouco, dava para ver um pedaço da cabeça, e tivemos certeza de que não era um coala. http://www.centennialparklands.com.au/about/environment/animals/common_brushtail_possum

O Royal National Park, a 50 minutos do centro da cidade, é outro parque bem falado, mas não fui nesse porque seria abusar da paciência do Daniel.

 

Blue Mountains National Park

A 1h30 de Sydney fica o Blue Mountains National Park. Você pode fazer um passeio bate e volta, mas é claro que você aproveita mais se hospedando perto. Ficamos na cidade de Katoomba e fizemos alguns passeios.

Diferente dos Estados Unidos, os parques da Austrália são focados em trilhas para pedestres. Nos Estados Unidos há muitas trilhas, mas também há muitas estradas pra carros. Eu já desconfiava e depois vimos que na Austrália sempre haverá um bom acesso de carro até uma parte do parque, mas se você quiser aproveitar terá que andar. Há trilhas fáceis, razoavelmente planas, que você vai e volta em menos de 2h, mas há muitas bem íngremes, que levam mais de 5h para ir e voltar. A descrição da dificuldade da trilha sempre vai aparecer numa placa no início das trilhas.

 

Hospedagem e restaurantes para visitar o Blue Mountains National Park

As pessoas se hospedam principalmente em Katoomba e Leura, são duas cidades pequenas grudadas uma na outra, Blackheat também fica perto. Escolhi Katoomba porque tinha mais opções de restaurante e casas de Airbnb. Também há hotéis, mas adorei a descrição de uma casa que tinha um jardim amplo, com fotos de aves na varada. É a casa da Kim (https://www.airbnb.com.br/rooms/1046483). Foi uma ótima escolha.

Katoomba tem várias opções de restaurantes. Quando você for, sempre veja as avaliações recentes do TripAdvisor (as coisas podem decair ou mudar muito rápido). Nosso favorito foi o Basil Nut, um oriental, fomos lá três vezes. Yellow Deli era outro bem recomendado, mas pelos comentários descobrimos que os donos fazem parte de uma seita, dessas que proíbe os filhos de irem à escola para não aprenderem sobre evolução, e pensei que por melhor que fosse a comida não queria dar meu dinheiro pra pessoas assim.

Há supermercados grandes, se você estiver numa casa com cozinha pode fazer compras e cozinhar. Jantamos em casa duas noites. Para os restaurantes é preciso prestar atenção nos horários, a maioria fecha antes das 21h, às vezes até às 20h.

 

Passarinhando nas Blue Mountains

– Echo Point – Three Sisters: bem na cidade, vista bonita, mas absurdamente lotado de gente, não recomendo.

– Govetts Leap Lookout: mais afastado, vistas igualmente espetaculares, mas muito mais tranquilo. O Cris e o Daniel fizeram um pedaço da trilha, eu fiquei perto do estacionamento por causa de um casal de Crimson Rosella. Também foi meu primeiro avistamento de Grey Fantail, Sacred Kingfisher, Grey Shrike-thrush e a fêmea do Satin Bowebird. Desci a trilha para encontrar o Cris e o Daniel e vimos um bandinho de New Holland Honeyeater.

– Evans Lookout. O caminho até lá passava por florestas de eucalipto que pareciam bem promissoras. Entenda que floresta de eucalipto não é como no Brasil. A Austrália tem mais de 800 espécies de eucalipto, e as florestas são ambientes ricos em fauna. Mas não paramos no caminho. Chegamos lá, outro lugar de vista muito bonita, e com dois prêmios grandes: nosso primeiro encontro com um Super Lyrebird, um macho, uma ave maravilhosa. Na verdade, foi o único macho que vimos, os outros avistamentos foram de fêmeas. Eu vi de longe de relance, primeiro pensei em mamífero porque só vi um pedaço do rabo comprido se movendo, depois consegui ver o que era. Ele se mostrou arisco e se afastou de nós. Fim do dia, ave marrom sobre cenário marrom, movimento, pouca luz, de perto não consegui nada. Mas quando ele se afastou, de longe conseguimos algumas fotos. Havia uma trilha com uma escadaria muito íngreme, parecia cenário de O Senhor dos Anéis. O Cris e o Daniel seguiram na frente, eu fui descendo devagar, tentando ver alguma ave. De repente aparece um bando de Gang-gang Cockatoo. É um papagaio comum, mas ainda não tínhamos visto. Ele é lindo, mede mais de 30cm, cinza-chumbo e o macho tem a cabeça vermelha com topete. Fotografamos eles no alto dos eucaliptos, e depois vimos que eles voaram pra área do estacionamento. Subi as escadas correndo (mas como não tenho fôlego o Daniel disse que parecia que eu estava correndo em câmera lenta, falou que foi hilário e que devia ter filmado). E por fim pegamos um macho pousado perto, no aberto, no limpo.

Tentamos caminhar pela Pulpit Rock, mas as trilhas estavam interditadas para obras, só pudemos andar um trecho, mas deu pra ver Rockwarbler e Grey Butcherbird. Houve um outro ponto que também tentamos chegar e estava interditado, com uma placa sobre contaminação do solo com metais pesados. Fomos pra Gordon Falls Lookout. Aves de sempre. Uma foto bonita de Eastern Spinebill e meu único avistamento de White-throated Treecreeper.

Nossa anfitriã do Airbnb, a Kim, foi muito gentil. Tínhamos contado que somos birdwatchers, e ela nos recepcionou com alguns folders, e também um impresso do Clube de Observadores de Aves de Blue Mountains. Eles têm um site bem simples, mas que está ativo, e tem material como este, que dá dicas de trilhas e espécies prováveis para ver: http://bmbo.org.au/Blue_Mountains_Bird_Sites1.pdf.

Além das trilhas nos arredores do parque, vi várias aves na própria cidade de Katoomba e no quintal da casa da Kim. Chegamos num fim de dia, e enquanto descarregávamos o carro um casal de Sulphur-crested Cockatoo pousou numa árvore alta e começou fazer display de erguer a crista e rodopiar no galho como os anacãs fazem. Na manhã seguinte saí pra caminhar pelo bairro, vi muitos Sulphur-crested Cockatoo, alguns Crimson Rosella (demorou um pouco pra conseguir fotos, antes vi vários passando de relance, e toda vez que via aquele psitacídeo daquela cor, tão vermelho, meu coração quase parava de bater). Muitos Red Wattlebird, vários Australian Raven, Australian Magpie, Laughing Kookaburra, Striated Thornbill, Rufous Whistler, um Estern Spinebill. No quintal da Kim também tive minhas melhores fotos do Australian King-parrot.

Por recomendação da Kim fomos visitar o Blue Mountain Botanic Gardens. Ficava a 50 minutos de Katoomba. Lugar muito bem cuidado, e onde tive minha primeira imersão numa trilha de floresta australiana. Fomos pro pedaço de Rainforest, logo que chegamos havia um bandinho de White-browed Scrubwren e um Yellow-throated Scrubwren. São aves comuns, mas foi a primeira vez que vimos, elas pareciam não ter nenhum medo da gente. Cenário lindo e escuro de floresta com árvores altas, e alguma flor com um perfume que era uma mistura de talco com algo cítrico. Também vimos Striated Thornbill, Brush Turkey, Common Blackbird, Mistletoebird, boa foto do New-holland Honeyeater e tivemos nossa primeira visão de uma ave que eu queria muito ver, que é a Super Fairy-wren.

Faz anos que vejo fotos de Fairy-wrens na internet e só suspiro. A Superb é a mais comum, e há várias que só no norte da Austrália pra ver. Mas o bichinho é muito encantador. Ele gosta de jardins, áreas abertas. Chegamos num jardim e de repente, no chão, um macho de Superb Fairy-wren. Depois vi essa espécie mais umas três vezes. Em nenhuma consegui grande aproximação, e não tenho nenhuma foto muito boa, mas a emoção de vê-lo ao vivo era como a realização de um sonho. https://www.bluemountainsbotanicgarden.com.au/

 

Passarinhando em Coffs Harbour

Coffs Harbour não era um destino passarinheiro, era pra ser um destino de snorkeling e mergulho. O Cris queria ir pra Brisbaine, mas pelo o que lemos, pra valer a pena você precisa ficar num liveaboard ou em alguma ilhazinha. São esquemas bem caros. Chegamos a fazer uma reserva em Heron Island e depois desistimos porque havia informações de que o clima pode ser ruim, tinha um depoimento no TripAdvisor de um cara que tinha ficado dois dias lá, pagou caro, e não viu nada porque a água estava muito turva. E também diziam que o único hotel em Heron Island estava deteriorado e com preços absurdos. O Daniel nem é fã de snorkeling como nós somos, então desistimos.

Já que tínhamos desistido da Golden Coast nessa viagem, Cris escolheu um outro destino, o mais perto possível de Sydney. Coffs Harbour. Fica a 500km. Os voos internos são baratos, mas tem a questão 23kg por pessoa. Deixamos uma mala num guarda-volumes em Sydney e voamos sem preocupação com excesso de bagagem.

Ainda no Brasil, depois que o Cris tinha comprado as passagens pra Coffs, pesquisei o que tinha nos arredores e descobri um parque chamado Dorrigo National Park, que diziam ser incrível pra passarinhar, e com chance de ver Rifle Bird, uma das aves do paraíso, aquela que faz um display que ela vira um disco voador negro com dois olhinhos azuis. Eu sei que ver display de uma ave do paraíso é bem difícil. Tim Laman diz que nunca vai acontecer de você estar andando numa trilha e topar com uma arena. Você precisa contratar um guia local, que vai saber onde é, você vai na época certa, monta um hide, e fica algumas horas esperando os bichos aparecerem, às vezes por vários dias ou semanas. Eu não achava que veria o disco voador. Mas uma espiada num Rifle Bird já parecia valer a pena, então pedi pra gente incluir Dorrigo no roteiro.

Passarinhei uma última manhã nos arredores de Katoomba, depois nos despedimos da Kim, voltamos pro aeroporto de Sydney e pegamos o voo pra Coffs. Chegamos no fim do dia. Fomos dar um passeio pela cidade e comecei a ver um monte de lifers. Ainda no aeroporto, parei pra fotografar Lewin’s Honeyeater. Na cidade vimos Dollarbirds, Australasian Figbird, Noisy Friarbird, Noisy Miner, Blue-faced Honeyeater. Esses últimos três estavam juntos no mesmo fio, pedi pro Cris voltar o carro, quando chegamos no ponto eles não estavam mais no fio, mas se alimentando de lindas flores de um jardim. Também fotografei Australian Pelican, e um bando lindo de Rainbow Lorikeets comendo pão na grama, junto com pombos domésticos e Crested Pigeon, um pombo bem comum mas muito charmoso.

E esse dia comprido ainda não tinha acabado. Eu achava que já não tinha luz, mas o Cris falou que dava tempo de irmos até Emerald Beach procurar cangurus. Fomos até lá, e realmente os vimos, mas era como a gente tinha lido: eles são bichos comuns que ficam em jardins. Confesso que não foi emocionante.

Fotografamos alguns cangurus e a praia, mas pra mim o mais emocionante foi ver um bando de Yellow-tailed Black Cockatoo, um bicho relativamente comum mas que ainda não tínhamos visto. Imagine que ele mede 65cm. Primeiro pousou um numa árvore alta “Meu Deus, um Yellow-tailed!”, e tentei andar na direção dele, o que fez o grupo de cangurus se dispersar (depois lemos uma placa que diz pra nunca andar diretamente pra perto de um canguru, que você pode ser atacado. E, que se te atacarem, pra não tentar brigar com ele e  sim ficar deitado no chão, encolhido, braços protegendo a cabeça). Mas na hora eu não sabia disso, só queria fotografar aquele psitacídeo maravilhoso. Ele voou, mas logo surgiu um bando com oito, e consegui fotografá-los em voo. Já não tinha luz, mas foi uma grande alegria.

Assim que chegamos em Coffs fomos visitar a principal agência da cidade, a Jetty Dive Center, e descobrimos que eles só tinham vagas pra dali a dois dias. No dia seguinte as condições do mar estavam ruins, no outro estava lotado, só no outro poderíamos sair com eles.

Foi por isso que acabei passarinhando bastante em Coffs. O Jardim Botânico de Coffs Harbour era um lugar bem interessante pra aves. Fui lá duas manhãs, uma com o Cris, outra sozinha. White Ibis com filhotes, Striated Thornbill, Noisy Miner, White-faced Heron, Satin Bowebird fêmea, Australia Wood Duck, Eurasian Coot, Dusky Moorhen, Purple Swamphen, Red-browed Finch, Estern Yellow Robin, Common Raven, Blue-faced Honeyeater, Australasian Figbird, Willie Wagtail, Laughing Kookaburra com um inseto incrível no bico, Super Fairy-wren, Dollarbird, Lapwing, nosso primeiro avistamento de Green Catbird. É uma ave relativamente comum, mas quando vimos nem sabia o que era, tão bonita na luz esparsa da vegetação de rainforest. Nos arredores do Botânico também consegui minhas melhores fotos de Eastern Rosella, um psitacídeo muito colorido. Dei a sorte de pegar um casal se alimentando de umas frutinhas, fui me aproximando devagar, e mesmo com pouca luz, consegui boas fotos.

Uma das voluntárias do parque veio nos contar que havia um ninho de Sea-Eagle e de Powerful Owl. O ninho de Sea-Eagle nós achamos, mas parecia já abandonado. O da Powerful ela não conseguiu explicar bem onde achar, e esse nem tentamos ir.

Esses passeios no Jardim Botânico foram de manhã, enquanto o Daniel dormia. Na ausência do snorkeling, a programação principal do dia era a busca por coalas. O local mais provável era o Bongil Bongil National Park. O parque tem mais de uma entrada, por acaso fomos pra área de piquenique, onde um mapa dizia que aquela era a região com mais concentração de coalas, mas não tivemos sorte. De aves na primeira tarde só vimos um Olive-backed Oriole com ninho. E quando voltamos na outra manhã, vimos Brown Cuckoo-dove, Satin Bowebird (sempre a fêmea), Eastern Common Koel, um Pacific Baza (um dos únicos dois rapinantes da viagem, o outro foi uma visão ao longe de um falcão-peregrino nos céus de Manly).

Em vários trechos o barulho das cigarras era ensurdecedor, o que levou a diálogos como esses:

“A gente não está vendo coalas porque eles desmaiam com esse barulho de cigarras, estão caídos em algum canto”

“Não é possível que a gente não esteja vendo coalas, eles são um negócio gordinho, se tivesse algum por aqui a gente veria”

“Você chamou os coalas de gordinhos… ou eles não vão aparecer, ou quando encontrarmos algum ele vai saltar direto em cima da sua cabeça ‘quem você chamou de gordo???’. E que fique registrado: EU nunca chamei um coala de gordinho”

“Coaaalaaass… onde vocês estão?” “aquiiiii” “aqui onde?” “aqui em cima, nos eucaliptos” “qual eucalipto?” “esse alto, cheio de folhas verdes”

Nos divertimos. Mas não vimos coalas.

Outro ponto com possibilidade de ver coalas era o Buff Loop Walking Track, uma outra entrada do Bongil Bongil NP. https://www.nationalparks.nsw.gov.au/things-to-do/walking-tracks/bluff-loop-walking-track. Um jeito fácil de chegar é colocar no GPS Tuckers Rocks Cottage, Tuckers Rock Road, Repton Nova Gales do Sul, Austrália, que fica no caminho. No final dessa estradinha há um pequeno estacionamento, é um lugar com poucas pessoas. Desse estacionamento sai uma trilha que beira a praia. Não achamos essa parte perto da praia muito interessante, é da metade pra frente que a vegetação muda, fica mais rainforest, bonita. Não vimos quase nada de aves na trilha, mas foi emocionante finalmente ver uma fruitdove, no caso, uma Rose-crowned Fruit-dove. De longe e no escuro, mas frutidoves eram outras aves míticas da Austrália pra mim. Também vimos um Rufous Fantail, de relance, mas sem chance pra foto. Se fosse voltar a fazer essa trilha, talvez até fizesse só o trecho que fica mais afastado da praia, ou seja, em vez de sair da praia, andaria pelo trecho com árvores altas que sai daqui: https://www.google.com/maps/@-30.4501043,153.0554111,3a,75y,20.34h,76.97t/data=!3m6!1e1!3m4!1szN96JtD3Q_aqfqDYyEcncw!2e0!7i13312!8i6656

Na área de estacionamento vimos Lewin’s Honeyeater, uma família de Superb Fairy-wrens, inclusive dois machos juntos, um Silvereye. Indo embora, um Sacred Kingfisher, fotos melhores do que em Blue Mountains. E não mencionei que numa noite fomos jantar em Bellingen, e finalmente consegui algumas fotos de Galah. É um papagaio comum, mas eu ainda não tinha conseguido fotografar, um bicho cor de rosa, com asas cinza, topa da cabeça branco, lindo.

No nosso último dia em Coffs fizemos um snorkeling legal em alto mar, tomamos banho na sede do Jetty Dive Center, almoçamos em Coffs e depois pegamos estrada em direção ao Dorrigo National Park.

 

Passarinhando em Dorrigo National Park

Pra passarinhar em Dorrigo você pode ficar hospedado em Coffs Harbour, é só a 1h30 de lá. Mas também tinha a opção de ficar num hotel que ficava a 5 minutos da entrada do parque, o Lookout Mountain Retreat, então adivinhe o que escolhi.

Esses foram os piores dias pro Daniel. O hotel era bonito, quartos espaçosos com ar-condicionado. Mas eu não sabia que o restaurante deles só funciona nos finais de semana. E também não sabia que o quarto tinha frigobar e micro-ondas, ou teríamos comprado um lanche pro jantar. O Cris ligou antes de irmos, pra saber o horário do restaurante, e soube que não tinha restaurante naquele dia. O funcionário nos recomendou jantar em Bellingen, uma cidade próxima que iríamos passar de qualquer forma porque havia chance de ver coalas por lá.

Em Bellingen não achamos coalas, mas vimos um espetáculo da natureza, as flying-foxes, um desses morcegos grandes australianos. Havia uma colônia com milhares, e no início da noite eles saíam pra caçar. Não tinha luz pra foto ou filme bom (e pelo o que lemos, a população local os detesta), mas pra nós turistas, foi lindo de ver.

Pelo menos pra mim e o pro Cris. O Daniel não gosta de morcegos. E o golpe final pra ele foi quando finalmente chegamos no hotel, e havia uma infestação de Christmas Beetles. Não era nada anormal, no verão há noites que eles irrompem assim. Mas tinha centenas, daquele jeito que ficam batendo no vidro e você tem que manter luzes apagadas antes de entrar no quarto, pra eles não entrarem junto. Algo que deixou o Daniel muito mal impressionado.

Adorei esses dois dias em Dorrigo. Vimos de novo a Super Lyrebird, uma fêmea que empoleirou – passei uns dias achando que podia ser um Albert’s Lyrebird, até marquei no livro, porque nas ilustrações o Superb Lyrebird parece não ter garganta avermelhada. Mas depois olhando fotos na internet vi que estava enganada. Vimos Crested Shrike-tit, Australian King-parrot, Crimson Rosella, Basian Thrush, Eastern Yellow Robin com filhotão, Grey Fantail, Rufous Fantail, Lewin’s Honeyeater, Brown Thornbill, Golden Whistler, Grey Shrike-trush, White-throated Scrubwren, Yellow-throated Scrubwren, Topknot Pigeon, White-headed Pigeon, Welcome Swallow, Green Catbird, White-necked Heron (fora do parque, num alagado numa área aberta). No parque havia chance de ver Regent Honeyeater, uma ave ameaçada de extinção por perda de habitat, mas não tivemos essa sorte.

Não topamos com nenhum festival de aves. E na verdade, a primeira manhã foi bem mais produtiva do que a segunda. Na segunda fui sozinha e só fiquei um pouco, tínhamos que voltar pra Coffs pegar o voo de volta pra Sydney. As condições pra fotografar eram difíceis, lugares muito escuros. Mas a mata era linda demais, e a estrutura do parque é maravilhosa. Trilhas estreitas de asfalto, passarelas no meio das árvores (o Walk with the birds trail), uma passarela que avançava pra um ponto com vista linda (Skywalk). Numa das manhãs vi um funcionário com aqueles ventiladores barulhentos que assopram as folhas pra longe, limpando a trilha. Área de piquenique, café-restaurante, lojinha cheia de coisas legais (onde comprei meu guia de campo). Um lugar pra se andar suspirando, pensando em como poderiam ser os parques de Mata Atlântica e Amazônia se no Brasil a natureza fosse valorizada pelo governo.

A Austrália tem tantos momentos pra você andar feliz e triste ao mesmo tempo.

 

Pegamos o voo de volta pra Sydney, onde ficamos mais 8 dias. O que fotografei no Jardim Botânico de Sydney e no Centennail Park estão descritos no início do post. Em Sydney fizemos snorkeling em Clovelly Beach e de novo em Shelly Beach, em Manly. Passeamos de bicicleta, visitamos museus, experimentamos vários restaurantes. Vou fazer outro post só pra mostrar a parte aquática da viagem.

 

Nossas hospedagens na Austrália

Em Manly: https://www.airbnb.com.br/rooms/11191291. Ótima localização, terraço, churrasqueira. Mas bem pequeno, e sem cortinas pra barrar a luz.

Em Katoomba: https://www.airbnb.com.br/rooms/1046483. Casa da Kim. Você aluga um pedaço e divide a cozinha e as outras áreas com ela. Muito simpática, nada intrusiva. Fez até panquecas pra gente.

Em Sydney: https://www.airbnb.com.br/rooms/12012516. Sydney no verão pode ser muito concorrido. Demoramos uma semanas pra decidir onde ficar em Sydney, e quando fomos alugar vários que eu tinha separado estavam indisponíveis. Esse apartamento foi bom pela localização, por ter máquina de lavar roupas, e uma ótima varanda onde podíamos deixar as roupas de neoprene secando na sombra. Mas o sofá-cama era desconfortável, nosso colchão não estava bom, havia um terrorismo sobre o alarme de incêndio, você precisava cozinhar com a porta pra varanda aberta e prestando atenção se não tinha muita fumaça. E a cozinha era bem mal equipada.

Em Coffs Harbour: https://www.booking.com/hotel/au/coffs-harbour-holiday-apartments.en-gb.html. Um apartamento baratinho e honesto, com cozinha.

A 5m da entrada principal do Dorrigo National Park: https://www.booking.com/hotel/au/lookout-mountain-retreat.en-gb.html. Quartos bem legais, com frigobar e micro-ondas, mas o restaurante só funciona nos fins de semana. E teve a tal questão com os besouros, além da recomendação de manter as portas sempre fechadas, para não correr o risco de entrar cobra.

 

Sobre os perigos da natureza na Austrália

Na pesquisa pré-viagem li um artigo no The Guardian, de um inglês que foi conhecer as Blue Mountains. Ao chegar no hotel onde ficaria hospedado, recebeu instruções do tipo “mantenha-se nas trilhas limpas, não pise onde você não possa ver, não vá de jeito nenhum pra aquele lugar com mato alto ou você não volta vivo de lá”. Ele conta que quando a mulher foi embora, ele teve vontade de pedir pra ela voltar e ficar segurando na mão dela.

Passei um bom tempo considerando se eu devia comprar aquelas perneiras tecnológicas, feitas com tecido balístico, pra mim, o Cris e o Daniel, e obrigá-los a andar com aquilo. Também pesquisei bastante sobre a questão de águas-vivas no verão e os tais stinger suits.

Mais ao norte é uma área onde ocorrem Irukandji e Box Jellyfish no verão. Esses bichos são capazes de matar uma pessoa. Também li um artigo que fala que a área de ocorrência de águas-vivas tem se estendido, provavelmente efeito do aquecimento global. https://www.barrierreefaustralia.com/info/reef-dangers/Irukandji/ http://www.traveller.com.au/jellyfish-and-stingers-in-queensland-during-summer-what-you-need-to-know-gtaw5q

Por acaso, também topei com umas fotos horríveis de um adolescente australiano que sofreu ataque de sea slices (piolhos do mar), numa praia em Vitória em 2016. E também é verdade que todos os anos, pessoas morrem afogadas ou vítimas de tubarões.

Por fim foi assim:

– não comprei perneiras. Principalmente porque só vi duas pessoas com perneira nas trilhas, então pensei “se vamos nos manter nas trilhas limpas, o risco é muito baixo”.

– não comprei stinger suits. Compramos roupas longas de neoprene por causa do frio, 3mm, algo que podemos usar no Brasil. Elas também protegem contra as águas-vivas. Mas não estava de capuz, e tomei uma leve queimadura na orelha e no rosto no último snorkeling. Ao meu redor tinha várias pessoas de biquíni e sunga, e o vendedor de uma loja tinha nos falado que naquela região não havia as águas-vivas perigosas.

– fui conservadora o tempo todo. Pedi pro Cris e Daniel nunca saírem das trilhas limpas. Quando fiz snorkeling sozinha só fiquei nos lugares onde havia outras pessoas e não me afastei muito da praia.

Passarinhei despreocupada em todos os lugares. Pro snorkeling, foi tranquilo em alto mar, em Coffs Harbour, e nos snorkelings de praia, só tive preocupação no último dia. Queimadura na orelha, a medusa maravilhosa que eu queria ter fotografado mais mas eu não sabia se era perigosa, e uma hora ela chegou muito perto do meu rosto.

Claro que se estivesse pro norte ou pras regiões mais centrais e isoladas, seriam outros cuidados e preocupações.

 

Conclusão

A Austrália é um destino incrível. Em termos de riqueza de fauna, o norte do país tem muitas espécies incríveis, como o site da Laurie Ross demonstra bem. Mas se você precisa conciliar interesses, por exemplo, viagem com família em que nem todo mundo é fissurado por observação de fauna, é possível se divertir bastante nos arredores de Sydney.

Por acaso fomos pra Coffs Harbour, mas a região sul, mais pros lados de Melbourne e Vitória também tem cenários e bichos interessantes, inclusive espécies que só ocorrem por lá.

Ficamos na região costeira, mas vendo os mapas de distribuição das espécies dá pra ver que a região mais ao centro, mais árida, guarda muitos tesouros. A Austrália é famosa pela diversidade de psitacídeos, mas a maioria só pode ser vista no centro e no norte.

Apesar de ser uma viagem cara, esse é um lugar que dá vontade de voltar várias vezes. Abaixo seguem observações socioculturais e sobre os custos da viagem.

 

Considerações socioculturais sobre a Austrália

Talvez seja porque o clima e vários cenários parecem tão familiares. E por, em alguns lugares, ser tão comum ouvir gente falando português do Brasil nas ruas. Sensação de informalidade e também familiaridade. Conheço alguns países da Europa e da América do Sul, África do Sul, fui várias vezes pros Estados Unidos. E, como sempre conto, já chorei de tristeza saindo de um parque nacional dos Estados Unidos, pedindo pro Cris pra gente se mudar pros EUA. Mas o que dizer de Sydney e Manly? Decidir em cima da hora que vou fazer snorkeling naquele dia, estamos de bicicletas, passamos no apartamento, pegamos nossas coisas, voltamos até a loja pra devolver as bicicletas, andamos uns 300m até porto, pegamos o ferry boat, os 20 minutos de trajeto passam tão rápido com aquele cenário bonito. Chegamos em Manly, Cris e Daniel vão pro caiaque, eu vou pra Shelly Beach, uma caminhadinha de 20 minutos. E então estou na água, fotografando peixes coloridos, lulas, arraias, águas-vivas. No caminho pra Shelly Beach vejo a praia coalhada de surfistas, e imagino que há muita gente que apenas saiu do trabalho, pegou a roupa de neoprene e a prancha e fez o mesmo trajeto.

Tem as aves, é claro. Os parques urbanos estão cheios delas. Aqueles psitacídeos maravilhosos como o Rainbow Lorikeet ou a Sulphur-crested Cockatoo: comuns como periquitos-ricos em São Paulo. A menos de 2h de Sydney ficam as Blue Mountains, onde Australian King-parrots e Crimson Rosella são tão comuns, e não é raro ver um Lyrebird.

A natureza do Brasil é maravilhosa. Mas na Austrália você anda sem medo, tudo funciona, tem infraestrutura, trilhas, estradas, escadas, placas, estacionamentos, banheiros, lojas. Não tem guardinha pedindo pra ver sua autorização pra fotografar. Os parques que fomos não têm nem ingresso, no máximo uma caixa pedindo doação, ou então, há uma trilha que diz que o ingresso é de 2 dólares australianos, mas é só uma caixa pra você por o dinheiro, não tem ninguém fiscalizando.

O custo de vida é caro. Mas é um caro no nível de São Paulo. Eu tinha feito um chute de quanto gastaríamos com comida, errei muito. O certo é pensar em dinheiros, equivalente a São Paulo. 30 a 40 dinheiros por pessoa pro almoço num restaurante comum, sem sobremesa ou bebidas. Mas no jantar, e com bebida, é fácil ser 70.

Li vários textos que falam do custo de vida alto na Austrália, mas acredito nas explicações dadas pelos australianos: a Austrália é um país com 24 milhões de pessoas (pense que só a cidade de São Paulo tem 12 milhões). Apesar de uma população pequena, os impostos que essas pessoas pagam é o suficiente pra ter sistema de saúde bom pra todo mundo, transporte público, estradas, companhias aéreas, educação rigorosa, e outro dia li que o sistema de previdência deles também é elogiado.

Repare que não falei de segurança. Tem segurança. Mas a sensação é de que não precisa. Um dos piores incidentes foi em 2014, num café em Sydney, em que um homem fez reféns, matou uma pessoa, uma outra morreu no fogo cruzado. Dizem que uma das falhas do processo foi que a polícia não tinha uma van especial para negociar com sequestradores, equipada com várias linhas telefônicas. Eles até possuíam uma, mas estava sucateada há anos por falta de uso.

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Claro que nem tudo são flores. Em Manly num sábado à noite você pode ver muitos jovens em bancos ou sentados no chão, dormindo, provavelmente passados de bebida (como acontece em tantos lugares do mundo). Muitas pessoas dirigem de forma agressiva, mesmo dentro de Sydney. Num passeio nas Blue Mountains, vimos um helicóptero resgatando um corpo, e lemos algo sobre o Echo Point ser um local popular para suicidas. Vimos vários mendigos em Sydney, e também vans à noite, no centro da cidade, que distribuíam comida. Mas todos os mendigos que vimos eram homens adultos, com aparência de gente comum (nada de mulheres e crianças, como tem no Brasil). E mesmo na fila pra pegar comida, achamos que a maioria das pessoas estava mais bem vestida do que a gente.

A Austrália tem uma história tenebrosa do que fizeram com os aborígenes. Pra terem uma ideia, o primeiro aborígene a conseguir cidadania australiana foi na década de 1970, e até hoje os povos lutam pelo direito às terras.

A sensação é de um povo muito informal, liberal, tranquilo. Mas 13 anos atrás algum conservador conseguiu aprovar uma lei que proibia explicitamente o casamento gay. Nos dias que estávamos lá, estavam nas etapas finais de revogar essa lei, e todos comemoravam, tinha até faixas em igrejas se dizendo a favor do casamento gay.

Você caminha pelas ruas de Sydney e vê muita diversidade de gente. Rostos, roupas, cores de pele, línguas. Num restaurante como o Mamak, malaio, ótimo e barato, é uma sensação maravilhosa entrar e ver tanta diversidade de gente, todos sentados bem pertinho uns dos outros, comendo e papeando. O privilégio de sentir, pelo menos por alguns minutos, que a humanidade deu certo, que não existe racismo, xenofobia, homofobia, injustiças e explorações históricas, guerras religiosas.

Como tanta gente que foi pra Austrália, me sinto um pouco doente de saudade. Sei que a geografia do Rio de Janeiro é única, mas não me parece injusto dizer “imagine como seria morar num Rio de Janeiro sem nenhuma preocupação com violência, sem esses abismos de desigualdade social”. É. Doído assim.

E isso porque a gente só foi pra um pedaço da parte baunilha da Austrália. Pra birdwatchers, a Meca é ir pro norte, que seria como a Amazônia deles, em termos de raridades e avistamentos excitantes. Mas no verão chove bastante no norte, com algum risco de furacões. E estávamos com o Daniel. E também não fomos pra Grande Barreira de Corais, outro passeio que fica pra uma outra viagem.

 

Custos da viagem, visto australiano

– O processo pro visto australiano é chato, custa quase R$ 300 e só vale por um ano. Mas tem a vantagem de ser totalmente eletrônico, você não precisa ir até um consulado, seu passaporte não fica retido por semanas em algum lugar. Tem vários posts na internet orientando um passo a passo. Li alguns, e fizemos sozinhos, sem ajuda de agência. Basta passar por um questionário bem comprido, que inclui comprovações de renda e de laços familiares. Coloquei fotos em que apareciam eu, o Cris e o Daniel juntos, e também fotos do nosso visto dos Estados Unidos e de carimbos dos nossos passaportes, mostrando que viajamos com frequência. Recebemos a resposta de aprovação em dois dias.

– Pagamos R$ 6.000 de passagem por pessoa (São Paulo – Sydney ida e volta, com escala em Santiago. Na volta teve escala em Auckland também) porque já era início das férias de dezembro. Você já deve ter ouvido falar de passagens de R$ 2.000, mas acho que é lenda urbana. O pessoal que comentou o post que falava de passagens a R$ 2.000 diziam que era impossível comprar. Pesquisando no Decolar, com aquela opção de “Ainda não defini as datas”, aparecem passagens a R$ 3.900 para maio.

– Hospedagem: ficamos em casas de Airbnb a maior parte do tempo, na faixa de R$ 500 / dia (custo total, incluindo taxas). Escolhemos casas bem avaliadas e bem localizadas, confortáveis, com cozinha, o que nos deu a possibilidade de tomar café da manhã em casa e às vezes jantar em casa.

– Transporte: em Sydney andamos de Uber e ferry boat. Corridas curtas de Uber na faixa de uns 10, 12 dólares australianos. Ficamos num apartamento perto do Hyde Park, dava pra ir a pé pra vários lugares. Aeroporto fica a uns 40 minutos do centro, num dia sem trânsito. Voltamos no dia 23 de dezembro, aeroporto bem cheio, então levamos 55 minutos em vez de 40. A corrida num Uber xbag ficou uns 70 dólares australianos. No passeio pra Blue Mountais e nos dias em Coffs Harbour estávamos com carro. Suvs espaçosos por uns R$ 250 / dia.

– Em Sydney há muitas faixas pra ciclistas, bastante gente andando de bicicleta. Alguns pedaços do centro tem ruas estreitas, não há ciclofaixas, e não gostei de andar de bicicleta por lá. Mas quase todas as calçadas são largas, e nos trechos sem ciclofaixa, você pode desmontar da bicicleta e andar pela calçada. Há várias quadras com menos movimento e calçadas mais largas, dizem que nesses trechos você pode andar de bicicleta pela calçada.

– Alimentação: é caro comer em restaurantes (caro como em São Paulo) e você tem que prestar atenção nos horários. Nas cidades menores a maioria dos restaurantes fecha às 21h, às vezes até 20h. Se você gosta de comida oriental (chinesa, japonesa, tailandesa, vietnamita) sempre há opções mais em conta. Eu tinha chutado 30 dólares australianos por pessoa pro almoço, 40 pro jantar, mas o certo seria uns 40 pro almoço e pelo menos uns 70 pro jantar.

 

Lista das aves fotografadas

Alectura lathamiAustralian Brush-turkey
Synoicus ypsilophorusBrown Quail
Cygnus atratusBlack Swan
Chenonetta jubataManed Duck
Aythya australisHardhead
Anas superciliosaPacific Black Duck
Columba liviaRock Dove
Streptopelia chinensisTurtle-dove
Columba leucomelaWhite-headed Pigeon
Macropygia phasianellaBrown Cuckoo-dove
Ocyphaps lophotesCrested Pigeon
Ptilinopus reginaRose-crowned Fruit-dove
Lopholaimus antarcticusTopknot Pigeon
Eudynamys orientalisEastern Koel
Porphyrio porphyrioPurple Swamphen
Gallinula tenebrosaDusky Moorhen
Fulica atraCommon Coot
Threskiornis moluccusAustralian Ibis
Ardea pacificaWhite-necked Heron
Egretta novaehollandiaeWhite-faced Heron
Pelecanus conspicillatusAustralian Pelican
Microcarbo melanoleucosLittle Pied Cormorant
Phalacrocorax sulcirostrisLittle Black Cormorant
Phalacrocorax variusGreat Pied Cormorant
Anhinga novaehollandiaeAustralasian Darter
Haematopus fuliginosusSooty Oystercatcher
Vanellus milesMasked Lapwing
Larus novaehollandiaeSilver Gull
Aviceda subcristataPacific Baza
Eurystomus orientalisOriental Dollarbird
Todiramphus sanctusSacred Kingfisher
Dacelo novaeguineaeLaughing Kookaburra
Falco peregrinusPeregrine Falcon
Zanda funereaYellow-tailed Black-cockatoo
Callocephalon fimbriatumGang-gang Cockatoo
Eolophus roseicapillaGalah
Cacatua tenuirostrisLong-billed Corella
Cacatua sanguineaLittle Corella
Cacatua galeritaSulphur-crested Cockatoo
Platycercus elegansCrimson Rosella
Platycercus eximiusEastern Rosella
Trichoglossus moluccanusRainbow Lorikeet
Alisterus scapularisAustralian King-parrot
Menura novaehollandiaeSuperb Lyrebird
Ailuroedus crassirostrisGreen Catbird
Ptilonorhynchus violaceusSatin Bowerbird
Cormobates leucophaeaWhite-throated Treecreeper
Malurus cyaneusSuperb Fairy-wren
Phylidonyris novaehollandiaeNew Holland Honeyeater
Entomyzon cyanotisBlue-faced Honeyeater
Philemon corniculatusNoisy Friarbird
Acanthorhynchus tenuirostrisEastern Spinebill
Meliphaga lewiniiLewin’s Honeyeater
Anthochaera carunculataRed Wattlebird
Manorina melanocephalaNoisy Miner
Gerygone moukiBrown Gerygone
Origma solitariaRockwarbler
Sericornis citreogularisYellow-throated Scrubwren
Sericornis frontalisWhite-browed Scrubwren
Acanthiza nanaYellow Thornbill
Acanthiza lineataStriated Thornbill
Acanthiza pusillaBrown Thornbill
Sphecotheres vieillotiAustralasian Figbird
Oriolus sagittatusOlive-backed Oriole
Falcunculus frontatusEastern Shrike-tit
Pachycephala rufiventrisRufous Whistler
Pachycephala pectoralisGolden Whistler
Colluricincla harmonicaGrey Shrike-thrush
Strepera graculinaPied Currawong
Gymnorhina tibicenAustralian Magpie
Cracticus torquatusGrey Butcherbird
Rhipidura rufifronsRufous Fantail
Rhipidura albiscapaGrey Fantail
Dicrurus bracteatusSpangled Drongo
Grallina cyanoleucaMagpie-lark
Corvus coronoidesAustralian Raven
Lophorina paradiseaParadise Riflebird
Eopsaltria australisEastern Yellow Robin
Hirundo neoxenaWelcome Swallow
Zosterops lateralisSilvereye
Zoothera lunulataBassian Thrush
Turdus merulaCommon Blackbird
Sturnus tristisCommon Myna
Dicaeum hirundinaceumMistletoebird
Neochmia temporalisRed-browed Finch
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