“O Brasil é um dos países com o maior número de espécies de aves ameaçadas de extinção em todo o mundo, e essa contagem vem aumentando a cada nova avaliação. Atualmente são considerados 160 táxons como nacionalmente ameaçados (MMA, 2003; Silveira & Straube, 2008).”

Extincao_estado_SP

 

Autores do relatório:

G O V E R N O D O E S T A D O D E S Ã O P A U L O
S E C R E T A R I A D O M E I O A M B I E N T E
F U N D A Ç Ã O P A R Q U E Z O O L Ó G I C O D E S Ã O P A U L O

Trechos do PDF

O Estado de São Paulo, infelizmente, acompanha essa tendência. A primeira lista, publicada em 1998 (São Paulo, 1998), apontava 128 espécies ameaçadas de extinção no Estado, e nesta atualização foram categorizadas 171 espécies, correspondendo a aproximadamente 22% da avifauna paulista (Tabela 1). Em conjunto com o pato-mergulhão, Mergus octosetaceus, classificado como extinto em São Paulo, essas espécies serão tratadas em detalhes nas próximas páginas.

A análise desta lista indica que 69 espécies (40,3 %) enquadram-se na categoria de Criticamente ameaçadas de extinção (CR), ou seja, são espécies em pior situação de conservação e cuja manutenção de populações remanescentes depende de esforços a serem feitos em curto prazo. Mais grave ainda é a constatação de que 53 dessas espécies são endêmicas ou têm parte da sua área de distribuição no Cerrado latu sensu, onde se inserem as matas ciliares e campos limpos. A rápida devastação dos campos limpos agravou a situação de espécies pouco conhecidas, como Geositta poeciloptera, Anthus nattereri e Coryphaspiza melanotis, além de várias espécies do gênero Sporophila que apresentam comportamento migratório e dependem dessas áreas para sobreviver. Boa parte das espécies desse bioma resiste apenas na Estação Ecológica de Itirapina, uma das unidades de conservação mais importantes para a proteção de aves das áreas abertas em São Paulo. Um número relativamente pequeno de espécies da Mata Atlântica se encontra nessa categoria, onde se destaca a extremamente grave situação do bicudinho-do-brejo-paulista, uma espécie ainda não descrita do gênero Formicivora cuja população total não ultrapassa 300 indivíduos que vivem isolados nos brejos da região de Arujá, Salesópolis e Mogi das Cruzes. Esses brejos naturais precisam ser urgentemente conservados, pois, ao contrário das outras espécies ameaçadas em São Paulo, o bicudinho-do-brejo-paulista é endêmico de uma pequena região do Estado, não sendo passível, como acontece com outras espécies na mesma categoria, de recuperar a sua população por meio de processos de recolonização por aves oriundas de outra região ou mesmo de programas de reintrodução. A delicada situação desse novo táxon só pode ser resolvida com a criação de unidades de conservação na sua área de ocorrência.

Outro grande contingente de espécies (40,3%) foi classificado como Vulnerável (VU), e nessa categoria encontram-se aves que ocorrem em todos os ambientes do Estado, incluindo também as oceânicas de ocorrência regular. Ao contrário do que observamos nas espécies classificadas como criticamente ameaçadas, neste grupo encontramos maior quantidade de espécies que ocorrem principalmente na Mata Atlântica, como o pavó, Pyroderus scutatus, e o macuco, Tinamus solitarius. Esse bioma se encontra em melhor estado de conservação quando comparado com o Cerrado, embora muitas das espécies de aves listadas nesta categoria ainda dependam da conservação e restauração de remanescentes florestais, especialmente daqueles situados em altitudes inferiores a 100 m.

 

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