“No presente trabalho, são apresentados os dados referentes ao levantamento qualitativo e quantitativo das espécies da avifauna apreendidas e entregues espontaneamente as autoridades ambientais em Santa Maria (RS). Para tanto, foram analisados os protocolos de apreensão de aves silvestres registrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)”

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Trechos do artigo

RESUMO: (Diagnóstico sobre a avifauna apreendida e entregue espontaneamente na Região Central do Rio Grande do Sul, Brasil). O tráfico de animais silvestres é uma prática antiga, sendo definido pela retirada de espécimes de vida livre para que possam ser comercializados. No presente trabalho, são apresentados os dados referentes ao levantamento qualitativo e quantitativo das espécies da avifauna apreendidas e entregues espontaneamente as autoridades ambientais em Santa Maria (RS). Para tanto, foram analisados os protocolos de apreensão de aves silvestres registrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e pela 2ª Companhia Ambiental da Brigada Militar que atuam na Região Central do Rio Grande do Sul, nos anos de 2003, 2004 e 2005. Como resultado, foram contabilizados 1120 espécimes de aves apreendidos e 60 entregues espontaneamente aos órgãos fiscalizadores do IBAMA e da 2ª Companhia Ambiental da Brigada Militar. As espécies mais prejudicadas pelo tráfico foram a Myiopsitta monachus, seguida pela Paroaria coronata, Nothura maculosa, Cyanoloxia brissonii e Carduelis magellanica que, juntas, representaram 57% do total de apreensões. Verificou-se que o órgão que mais tem apreendido a avifauna é o IBAMA e que a conscientização da população ainda é pequena visto que as entregas espontâneas realizadas pela população são muito poucas em relação às apreensões.

Palavras-chave: tráfico de animais silvestres, Myiopsitta monachus, Paroaria coronata.

Os psitacídeos, devido à habilidade de imitar a voz humana, combinada com a inteligência, beleza e docilidade, são as aves mais populares e procuradas como animal de estimação no mundo, ficando atrás apenas dos cachorros e gatos. Isso as torna também as mais comercializadas ilegalmente (Renctas 2001). De acordo com Sick (1997),apenas cerca de 5% dos psitacídeos no comércio são provenientes de criação em cativeiro, o restante é retirado da natureza, pois a reprodução desses animais é difícil e cara. No entanto, nos últimos anos, nota-se o aumento de criatórios legalizados e o domínio de técnicas de reprodução o que têm contribuído para aumentar a oferta de animais nascidos em cativeiro.

Tal resultado reforça os dados observados em outras regiões de que essas famílias são as mais visadas pelos traficantes principalmente pelas suas habilidades de canto e beleza da plumagem (Renctas 2001).

Na região Nordeste do país, verifica-se resultados semelhantes aos encontrados no Sul em relação ao tráfico ilegal da avifauna brasileira. De Souza (2005), em trabalho realizado na região do Paraguaçu e Sudoeste da Bahia, verificou que 17 famílias, 40 gêneros e 48 espécies da avifauna nativa estavam envolvidas no comércio ilegal, sendo que a maior incidência de espécie apreendidas era pertencente a família Emberezidae (66 %) seguida pela Psittacidae (8 %). Em outro trabalho, realizado por Pereira & De Brito (2005), foram identificadas 106 espécies de aves silvestres brasileiras, sendo comercializadas nas feiras livres da Região Metropolitana do Recife, distribuídas em 30 famílias. As famílias com maior número de espécies foram Emberizidae (18 espécies) e Thraupidae (12 espécies).

Entre os Emberizidae o que chama mais a atenção é a quantidade de cardeais amarelos, Gubernatrix cristata, com nove animais apreendidos, pois se trata de uma espécie ameaçada no estado do Rio Grande do Sul (Bencke et al. 2003) e que também consta da Lista Brasileira das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. Essa espécie era muito comum em grande parte da Argentina e do Uruguai, tendo também registros no Brasil, especificamente no estado do Rio Grande do Sul. No entanto, a captura desta espécie para o trafico da avifauna, agravada pela perda de habitat, provavelmente resultou em um declínio muito rápido da sua população de tal maneira que seu nome consta da Lista Vermelha de Aves Ameaçadas de Extinção da IUCN com o status de ameaçada globalmente.

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