Já falei aqui de minha predileção por aves aquáticas em seus ambientes molhados e, desta vez, vou mostrar algumas espécies facilmente encontradas em parques municipais, lagos naturais ou artificiais, lagoas de pesque-pague, rios, inclusive dentro das cidades e banhados na beira de estradas do interior. São, como a Claudia denominou, “Belas e Fáceis” e basta procurar por um pouquinho de água que lá estão elas.

Jaçanã – jovem (Jacana jacana) Wattled Jacana

 

Texto e fotos: Júlio César Silveira

A pedido da Claudia Komesu escrevi esse post pensando nas pessoas que estão começando agora a se interessar por “passarinhos”.  Num primeiro momento, a primeira dica é que “passarinho” é apena uma das “ordens” da classe das “aves” e que, coruja, gavião, urubu ou pato não são “passarinhos” e sim stringiformes, falconíformes, cathartiformes e anseriformes respectivamente… Pássaros são da ordem passeriforme,  com forma de pardal e  representam cerca de 5.400 espécies ou um pouco mais da metade de todas as cerca de 10.000 espécies do mundo, talvez por isso a generalização do termo… Mas isso é tema pra biólogo! O importante é saber que chamar gavião de passarinho (como vi numa reportagem recentemente) é como chamar cavalo de gatinho!

Acredito que nós, birdwatchers, já carregamos interesse por aves dentro da gente desde criancinha e um belo dia esse interesse se revela e desprende o desejo de fotografar, observar, ler sobre aves ou ouvir os seus cantos como forma de nos aproximar e conhecer mais essas maravilhosas criaturas.

Desde que comecei a me interessar pelo birdwatching, de maneira mais “focada”, em julho de 2009, meu entusiasmo por esse hobby só tem aumentado e à medida que o tempo passa percebo que o belo está no simples e que o simples fato de se estar “antenado” ao que acontece ao seu redor já rende momentos de prazer.

Nesses 3 anos descobri  que uma ave não precisa ser incomum para que sua foto seja mais bonita.  Quem disse que é preciso ir até a Amazônia, ao Pantanal, ao Cerrado ou às grandes reservas naturais para conseguir fotos maravilhosas de belas aves? Claro, que o encontro com um grande rapinante, uma fascinante coruja, uma colorida saíra ou um intrépido beija-flor todo colorido empolga qualquer birdwatcher, mas apreciar o canto de uma corruíra (Troglodytes musculus), testemunhar um suiriri-cavaleiro (Machetornis rixosa), caçando na calçada ou acompanhar os movimentos de um bando de anus-branco (Guira guira), forrageando numa área gramada também fazem desse hobby algo prazeroso.

Já falei aqui de minha predileção por aves aquáticas em seus ambientes molhados e, dessa vez, vou mostrar algumas espécies facilmente encontradas em parques municipais, lagos naturais ou artificiais, lagoas de pesque-pague, rios, inclusive dentro das cidades e banhados na beira de estradas do interior. São, como a Claudia denominou, “Belas e Fáceis” e basta procurar por um pouquinho de água que lá estão elas. Um binóculo, uma lente de uma câmera fotográfica ou mesmo a olho nú, e detalhes maravilhosos podem ser apreciados: a cor do bico, dos olhos, das pernas e principalmente as cores das penas, presença ou não de topete, rabo longo ou curto, enfim, uma infinidade de belos e coloridos detalhes ao alcance dos olhos.

Seguem abaixo fotos e comentários sobre algumas espécies que podem facilmente ser encontrada em ambientes aquáticos e algumas particularidades. Coloquei o nome da cidade onde a foto foi feita, mas não se atente a isso. Fora a batuíra-de-bando e a marreca-caneleira, todas as outras são facilmente vistas pelo Brasil, até em parques urbanos de qualquer cidade.

 

 

Garça-moura – Ardea cocoi: Belíssima garça de grande porte, mais arredia que as demais, mas permitem fotos quando estão preocupadas em se alimentar. Tem uma bela envergadura proporcionando um vôo belo e suave. Foto: Lagoa do centro – Três Lagoas – MS

 

Jaçanã – Jacana jacana: Muito comum e também muito bonita. Vale a pena observá-las se alimentando em cima de plantas aquáticas com seus enormes dedos que não deixa que afundem entre a folhagem. Os jovens dessa espécie são igualmente belos com uma plumagem bem diferente dos adultos parecendo que são de outra espécie. Foto: Lagoa do centro – Três Lagoas – MS 

 

Carão – Aramus guarauna: É muito relaxante ficar observando eles remexerem o fundo das lagoas em busca de alimento com seus longos bicos. Assim que encontram um petisco saem voando da água e vão comer no barranco. Foto: Lagoa do centro – Três Lagoas – MS

 

Marreca-caneleira – Dendrocygna bicolor: Não é tão comum nem tão sociável em meio a natureza, mas podem se adaptar em lagos de parques municipais pela abundância de comida. Vale a pena procurar, pois pode enganar um leigo mas não a um birdwatcher! Foto: Parque da redenção – Porto Alegre – RS

 

Frango-d’água-comum – Gallinula galeata: Como o nome diz é bem comum em lagos, córregos e banhados, mesmo em  parques municipais onde ficam bem sociáveis. Com uma luz boa percebe-se a coloração degrade de sua plumagem que ao contrário do que parece não é totalmente preta. Foto: Lagoa do centro – Três Lagoas – MS

 

Mergulhão-caçador – Podilymbus podiceps: Sempre os vejo em lagos e lagoas, naturais e artificiais, inclusive em meio urbano. Não são muito sociáveis, se afastando ao menor sinal de ameaça, mas são extremamente “curiosos” quando ouvem o play back de sua vocalização, se aproximando e permitindo que sejam observados de perto. Foto: Lagoa do centro – Três Lagoas – MS

 

Cabeça-seca – Mycteria americana: Não existe ave feia! Dificilmente alguém vai ouvir um birdwatcher dizer: “Essa ave é feia!”. Mas, no caso do cabeça-seca, o conceito de beleza deve deixar de lado a parte estética, principalmente no que diz respeito ao pescoço e cabeça, adaptados para procurar comida no lodo do fundo das lagoas e rios. A maior beleza está no seu belo vôo, suave, com suas enormes asas, que faz com que se lembre imediatamente que é uma cegonha. Foto: Lagoa do centro – Três Lagoas – MS

 

Pernilongo-de-costas-brancas – Himantopus melanurus: Muito comum em poças de água formadas por chuvas, ou vazante de rios, onde ficam o dia inteiro caçando pequenos insetos e outros invertebrados que aparecerem. Possuem longas pernas (daí o nome!) permitindo que andem nessas poças e utilizem seu longo bico para colher os petiscos. Foto: Zona rural de Três lagoas – MS.

 

Socó-boi – Tigrisoma lineatum: Possui uma belíssima plumagem. Comum em brejos, banhados e afins. Permanece por longos períodos pousado em árvores secas ao redor desses ambientes só saindo se se sentir ameaçado ou quando bate a fome. Foto: Várzea do Rio Pardo: Ribeirão Preto- SP

 

Pia-cobra – Geothlypis aequinoctialis: Onde tem água pode procurar que vai achá-lo. Responde muito bem ao play back, pois não gosta de invasores em seu território. Possui dimorfismo sexual e, como quase sempre, o macho tem cores mais vivas do que as fêmeas. Foto: Banhado na zona rural de Guararema-SP

 

Curutié – Certhiaxis cinnamomeus: Também habita locais úmidos. Andam quase sempre aos pares e também ficam muito irritados com o som do play back. Foto: Banhado na zona rural de Guararema – SP

 

Garça-vaqueira – Bubulcus ibis: Como o nome diz, está sempre associado a pastos onde haja gado. Os carrapatos e outros insetos que rodeiam esses mamíferos fazem parte da principal dieta delas, mas, já vi cena delas com pequenos anfíbios na boca e até mesmo filhotes de outras espécies. A curiosidade dessa foto é que estavam numa área inundada de um arrozal em Tremembé-SP, longe de qualquer cabeça de gado. Foto: Arrozal do Marcão – Tremembé – SP

 

Socozinho – Butorides striata: Ave de belíssima plumagem, caçadora sorrateira de pequenos peixes e anfíbios. Comum e até certo ponto sociável. Em parques municipais permite boa aproximação. Foto: parque da cidade – São José dos Campos – SP

 

Lavadeira-mascarada – Fluvicola nengeta: Muito comum e inconfundível com sua plumagem branca e preta. Caça insetos em beira de água…Quando excitada performa um display característico  abrindo as asas e se exibindo para o parceiro. Foto: Praia do Saue – Aracruz – ES

 

Batuíra-de-bando – Charadrius semipalmatus: comum, bela, mas arredia. Não permite muita aproximação. Quando se sente ameaçada alça vôos curtos, mas, assim que a ameaça se afasta elas voltam aos locais onde estavam caçando. Comum em praias desertas. Foto: Praia do Saue – Aracruz – ES

 

Pé-vermelho – Amazonetta brasiliensis: Por ser um anatídeo nada mais certo do que ser encontrado na água. Pode ser, inclusive, em meios urbanos se adaptando bem ao convívio com humanos e outras espécies. Foto: Lago artificial em um condomínio em Sorocaba – SP

 

Garça-branca-pequena – Egretta thulae e Garça-branca-grande – Ardea alba: São, de longe, as aves aquáticas mais avistadas por serem comum e por serem extremamente brancas e facilmente reconhecíveis. Fotos boas delas são difíceis de serem conseguidas em função do branco extremo. O melhor horário é de manhã ou à tarde ou no meio do dia com céu nublado fazendo com que a luz seja difusa e permita uma exposição razoável. Foto: Lagoa do centro – Tres Lagoas – MS

 

Gaivotão –  Larus dominicanus: comum nas praias brasileiras. Comem de tudo, inclusive restos de alimentos humanos, mas gostam mesmo é de peixe fresco. Foto: Lagoa do Peixe –Tavares – RS

 

Garibaldi – Chrysomus ruficapillus: De setembro a abril ( no Sul e Sudeste do Brasil) Procure um taboal (Typha domingensis) que é uma planta aquática típica de brejos, manguezais, várzeas e outros espelhos de águas, seja na zona rural ou nas cidades, e,  certamente você vai encontrar essa espécie… Muitos deles. O macho vocaliza o dia inteiro e quando o faz, estufa o peito, como um verdadeiro Pavarotti. Foto: Arrozal do Marcão – Tremembé – SP. Esta é uma foto da fêmea. O macho é vermelho e preto.

 

Freirinha – Arundinicola leucocephala: Sempre são vistas aos pares. O macho tem a cabeça branca e corpo preto e a fêmea é mais discreta com tons cinzas e a cabeça menos contrastante como a do macho. Foto: Zona rural de Aracruz – ES.