Reflexões sobre o birdwatching

  • Texto e fotos: Rodrigo Madureira Ribeiro

De início eu só pensava em ”lifers”, mas a natureza é sábia. Há dias que em uma mata há muitas espécies, mas tem dias que no mesmo local elas sumiram todas. Qual observador nunca passou por isso? É sempre assim, e sempre vai ser.

Por conta do trabalho, as oportunidades para passarinhar são apenas nos fins de semana, férias e feriado. Sentia uma agonia, queria uma ave diferente ou mesmo melhorar o registro.

Arrumar companhia para observar é sempre bem-vinda! Mas é complicado: a gente nunca sabe o objetivo do outro. Gosto mais da Arte, um bom enquadramento aliado à beleza da espécie em composição com a natureza, e muitas vezes minha intenção é relaxar. Ser professor não é fácil e estar no verde curtindo o som das aves é gratificante. Mas tem dia que saio para passarinhar por aí com vontade de ver algo especial, uma ótima novidade, aí seu colega pergunta “foi legal?”, e eu sempre sincero digo ”ah, não foi legal” risos, eu me rendo, tudo bem aí passo por ser “chato”. Não ligo: tomo uma garrafa de água ou um suco oferecido pelo amigo que acompanha na passarinhada e umas bolachinhas salgadas e está tudo resolvido, sou assim…

Quando comecei a observar aves, aproveitava o condomínio onde eu moro aqui em São Paulo no município de Guarulhos. As aves são urbanas, mas até então não tinha o domínio sobre a fotografia. Tudo o que eu sabia sobre fotografia era observar meu pai na época em que ele tirava fotos de muitas coisas inclusive de aves.

Neste mês de fevereiro faz um ano de cadastro no WikiAves, até então tenho 148 espécies diferentes, e algumas repetidas que melhoram o registro. Quando mostro as fotos a colegas de trabalho, a primeira palavra que vem é esporte de rico, me incomoda um pouco, os equipamentos realmente são caros, mas é uma questão de escolha: tem gente que prefere gastar o dinheiro com roupas e sapatos novos, celular novo, comer fora, mas que você economiza dinheiro para ter uma câmera e poder fazer passeios.

Em dezembro de 2013 tive a oportunidade de ter meu olhar fotográfico sendo visto por Guarulhenses no dia do aniversário da cidade. O ensaio fotográfico ”OLHA O PASSARINHO” na Revista Guarulhos foi a minha primeira publicação impressa. Para quem não conhece, a Revista Guarulhos circula em alguns bairros da cidade, fala de moda, cultura, comportamentos e comércio local.

Acredito que observar aves no Brasil ainda é novidade, as câmeras profissionais e super zooms estão se popularizando. Claro que fotografar não é só apertar botão: tem a técnica certa para fazer o trabalho bonito e bem valorizado.

Na observação de aves a natureza precisa de um olhar um pouco mais humano. Dá para aprender com as aves, acompanhando seu nascimento, até os seus primeiros dias fora do ninho, eu como professor posso aproveitar essas maravilhas e ter um olhar sociológico acrescentando valores aos meus alunos…

Na escola onde trabalho, situada no Bairro Bonsucesso em Guarulhos, durante uma reunião pedagógica, professores, coordenadores e a direção gostaram da ideia que havia sugerido de aliar a fotografia e a observação de aves. Na oportunidade de mostrar meus registros, ficaram encantados com o WikiAves chegaram a dizer que é simples e didático e que os alunos podem aprender com ele. O objetivo da escola é interdisciplinar envolvendo todas as áreas do conhecimento que se aprende na escola.

Mudar, sair da rotina aliando a educação ambiental nos nossos jovens, não vai ser fácil, mas aposto em bons resultados.

A reflexão que gostaria de compartilhar é: pare um pouco reflita. Olhe em sua volta. Para seu quintal, as ruas, os parques públicos, tudo faz parte do nosso planeta, e muitas vezes agimos como se não tivéssemos nenhuma responsabilidade pela destruição dos habitats. A natureza precisa de mais observadores conscientes de que precisamos dar valor pra natureza, só assim poderemos preservar e viver com qualidade de vida. Nós, nossa família e nossos amigos.

Rodrigo Madureira Ribeiro