Você deve estar perplexo ao ler um título desses num blog que trata de passarinho o tempo todo. Sim, mas não é qualquer moda ou estilo, é sobre “birdwatchers girls” ou meninas observadoras de aves. moda_silvia_linhares_10

Este texto tem uma razão para o seu surgimento – as lindas camisetas estampadas com aves coloridas, lançadas pela Hering, cujos nomes das aves estão errados e a roda sobre Mulheres Observadoras que o Guto Carvalho vai lançar no Avistar 2013. Rolou muito papo no Facebook em torno do assunto e a Claudia Komesu (que sempre pensa em tudo) sugeriu um post.

Quando eu penso em moda e aves, eu lembro logo da Seriema (Cariama cristata), a Gisele Bündchen da avifauna, em decorrência da sua aparência: baton, maquiagem nos olhos e longas pernas.

eriema (Cariama cristata) - por Silvia Linhares

Seriema (Cariama cristata) – por Silvia Linhares

Eu não sou a melhor pessoa para falar de moda, porque nunca dei a mínima para isso. Minha moda eu sempre inventei, adaptando-a às diversas fases da minha vida. Dos onze anos até o final da minha adolescência, meu modo de vestir acompanhou minha atividade esportiva. Eu jogava volei e tudo que eu pensava eram tênis adequados à prática (o Tiger e o Mizuno eram objetos de sonho), meinhas e shortinhos combinando. Meu guarda roupa tinha shorts e camisetas de montão, e alguns “abrigos”, hoje chamados de “agasalhos ou moletons”.

Nunca liguei para grife ou modismo. Mas o conforto sempre falou alto. A fase mais, digamos “elegante”, deu-se quando morei em Brasília. Foram quase 15 anos usando salto, meia fina e conjuntinhos de saia e blazer. O meu trabalho na matriz da empresa assim o exigia. Adorava as sextas onde eu podia ir de calça jeans, mais à vontade…combinava mais com o meu estilo.

Já morando em São Paulo, trabalhando em área interna da empresa, e indo à pé para o trabalho, optei por um jeito mais despojado, calça jeans, camiseta, e sapato baixo e me tornei adepta incondicional do sapatênis. E entre o sóbrio preto que amo, a luz dos brancos e a infinidade das cores, fiquei com todos.

A fase seguinte foi o tornar-se fotógrafa com ênfase no automobilismo e frequentar os autódromos. Não alterou muito meu jeito de vestir, mas minha busca foi direcionada para roupas e badulaques que traduziam essa modalidade. Camisetas da Ferrari, brincos temáticos, bonés, tênis xadrez e meias tal qual a bandeira quadriculada da linha de chegada, “chiquinhas” imitando pneus de corrida, até uma echarpe quadriculada eu tenho.

Fase Automobilismo - por Silvia Linhares

Fase Automobilismo – por Silvia Linhares

Dentro da fotografia  de natureza passei por diversas fases: paisagens, borboletinhas, peixinhos, florzinhas, mas a última fase foi a que me fisgou e parece que em definitivo. Aos poucos, conforme historinha que contei aqui no post intitulado Feitiço de penas, fui entrando na fase “passarinhos”. Essa está perdurando e parece que vai longe. Foi só com o tempo que fui transformando o meu guarda-roupa para adequá-lo à essa fase.

A minha “primeira passarinhada”, se é que assim eu posso chamá-la não tem nada a ver. A vestimenta era adequada ao clima e ao que eu estava fazendo: fotografando a Patagônia.

Eu na Patagonia - por Camila Maluf

Eu na Patagonia – por Camila Maluf

A segunda passarinhada foi catastrófica, não tinha a mínima idéia e fui de bermuda para o mato. As mutucas fizeram uma festa nas minhas canelas descobertas.

Ubatuba Birdwatching - Patrícia, Jonas, Carlos Rizzo, Carlos Godoy, Marília, Carmen Bays e eu - por self-timer

Ubatuba Birdwatching – Patrícia, Jonas, Carlos Rizzo, Carlos Godoy, Marília, Carmen Bays e eu – por self-timer

Quando passei a integrar o CEO, comecei a observar os colegas. No início a gente fica cheia de constrangimento e se sente um peixe fora d’água. Mas conforme o tempo vai passando, vamos nos adaptando. Após um tempo eu comecei abusar das roupas com padrão camuflado, nos tons de verde, marrom e bege. Às vezes pareço uma oficial do Exército. Até casas de artigo de pesca eu entrei atrás de roupas mais adequadas.

Eu no Rio Negro - Aquidauana/MS - por Carmen Bays

Eu no Rio Negro – Aquidauana/MS – por Carmen Bays

Por que adequadas? Porque têm que ser confortáveis e ao mesmo tempo proteger você. Eu uso esse conceito: toda excursão ao mato é uma aventura e eu necessito praticidade, proteção, conforto e roupas que não me impeçam o movimento. Para ir “passarinhar” tenho meu kit básico com check-list e tudo. Procuro arrumar a mala o mais espartano possível, só os equipamentos a ocupam quase inteira, então a roupa deve ser somente a necessária.

Levo duas calças de pesca/trilha/camping de secagem rápida, que aliam resistência, durabilidade e praticidade. O modelo que gosto vem com muitos bolsos multiuso e tem zíperes nas pernas que a transformam em bermuda, caso necessário. No inverno uso por baixo aquelas malhas segunda pele, que você pode comprar na Decatlhon ou loja similar.

Possuo várias camisetas em tons de verde, bege ou camufladas (dou preferência às de mangas compridas), se tiver frio uso blusas de fleece, cujo tecido é leve, não retém umidade e seca relativamente rápido, além de serem muito quentes e confortáveis. Por cima de tudo uso um colete verde do mesmo material que a calça, com muitos bolsos multiuso. Neles coloco quase tudo que preciso ter à mão no campo, tais como baterias extras, cartões de memória, pilhas, ipod, caderneta, lanterna, barrinha de cereais, etc – o que não dá vai numa pequena mochila nas costas.

Eu em Aquidauana-MS - por Carlos Godoy

Eu em Aquidauana-MS – por Carlos Godoy

Para proteger de cobras e etc. (não quero nem saber o que são os etc.) tenho três opções que considero adequadas: tênis com perneira, botinha tipo coturno – cano quanto mais alto melhor, bem resistente, e se não tiver muito quente, galocha. Prefiro as duas últimas opções. Aliás eu gosto mesmo é de colocar a galocha, pois com ela passo em qualquer lugar, de alagado a areião e ainda me sinto protegida. Minha primeira galocha foi da marca Chooka, bem fashion, lindona. Depois que descobri a galocha da CrocsCrocband Jaunt, me apaixonei. Ela é sensacional, muito leve e macia. E dá para por jibbitz – aqueles botõezinhos temáticos que você encaixa nos buraquinhos, os meus são de passarinhos, lógico. Mas pra quem não gosta dessas frescurinhas, procure pela Crocs Wellie Rain Boot. É show também. Mas lembre-se: compre sempre um número maior que o seu.

Galochas - por Silvia Linhares

Galochas – por Silvia Linhares

As meias são macias e de cano longo. No pescoço uso uma echarpe de malha fria verde, que ajuda a proteger a câmera do sol castigante, poeirão e chuvisco rápido, se necessário. O chapéu eu gosto com aba mole. Boné com aba dura e flash externo não combinam. E por último, na mochila uma capa de chuva para mim e uma para a câmera (nesse último caso pode ser saquinho preto de lixo grande). Nada de brincos, pulseiras. Nos lábios só um baton protetor. Perfume? Nem pensar…os mosquitos e mutucas adoram…e eu quero eles bem longe de mim… Maquiagem? ha ha ha …N ão se preocupe, pois seu rosto ficará brilhante (Ipsis litteris) por conta do filtro solar e repelente. Prendo o cabelo, mas no final do dia estou com ele amassado e suado – um horror – pra deixar qualquer “estilista de cabelos” torcendo o nariz.

Eu em Aquidauana-MS - por Carlos Godoy

Eu em Aquidauana-MS – por Carlos Godoy

Enquanto lia, você ficou imaginando um quadro nada sexy da mulher bird watcher. Tem razão. Realmente não existem peças de roupas que sejam adequadas e confortáveis no campo e que, ao mesmo tempo, realcem as curvas femininas.

Então… e a elegância onde fica? Nós mulheres, já temos a nossa própria graça, seja no nosso jeitinho de andar, de falar ou de lidar com as pessoas. Aí é que mora o charme. Óbvio, que as meninas, num dia de verão ficariam lindas numa floresta tropical só de shortinho camuflado, mas o custo disso seria muito alto. Passariam a noite coçando as incontáveis picadas de insetos e tomando anti-estamínico. Mas, dependendo do lugar até dá para abusar um pouquinho e ser super estilosa, como o exemplo abaixo da escritora e bióloga Martha Argel.

Martha Argel de saia-calça em Itatiaia - por Tietta Pivatto

Martha Argel de saia-calça em Itatiaia – por Tietta Pivatto

Bom, como você não passarinha todo dia, apenas alguns fins de semana, sobra o dia a dia prá você se produzir, abusar e criar o seu próprio estilo.

Por conta disso, no meu guarda-roupa também houve algumas transformações. Não posso ver uma blusinha com motivos “ornitológicos”, que lá vai ela habitar as minhas gavetas. E o que dizer dos acessórios … Brinquinhos, pulseiras, anéis, colares, chaveiros, pingentes, tudo passou a representar o meu mundo de penas.

Presentes e penduricalhos - por Silvia Linhares

Presentes e penduricalhos – por Silvia Linhares

Presentes e penduricalhos - por Silvia Linhares

Presentes e penduricalhos – por Silvia Linhares

Até as pessoas, ao escolherem presentes para mim, procuram algo relacionado a aves. Minha amiga Célia Moretti personalizou uma sacola de compras e um pano de cozinha com motivos de aves. Tenho dois pegadores de panela especiais – um, a Carmen Bays me trouxe da Austrália e o outro, minha cunhada mandou da Nova Zelândia. E minha sogra não ficou imune, não pode ver um pijama de passarinhos que me presenteia, mesmo não sendo meu aniversário ou natal. Adoro os pijamas e a sogra também, de verdade, viu…! rs rs rs

Coisas de casa - por Silvia Linhares

Coisas de casa – por Silvia Linhares

Pijama - por Silvia Linhares

Pijama – por Silvia Linhares

Vestindo-me assim, sou eu falando ao mundo o que penso. Dessa forma vou passando minha mensagem. É como se eu estivesse carregando uma bandeira, mostrando o que acredito, faço e gosto. Até minha secretária do lar teve que aprender um pouco sobre essa tal de moda birdwatching, para poder saber quais roupas ela deve guardar na gaveta “camisetas de passarinhar”.  Sério!

"Camisetas de passarinhar" - por Silvia Linhares

“Camisetas de passarinhar” – por Silvia Linhares

Recentemente uma calça camuflada de corações me arrebatou. Passei uma semana namorando-a na vitrine. Quando me decidi, quase me dei mal, só restavam 4 peças e uma única do meu número. Ufa! Consegui. Não que eu vá usá-la em campo (ela é muito justa e não tem bolsos multi-usos), mas com ela carimbo o meu estilo.

Falando nisso, a moda outono/inverno 2013 buscou inspiração no militarismo e promete ser camuflada, com muitos tons de verdes (talvez mais de 50 eh eh eh), terrosos e beges. Aproveite a oportunidade e adquira peças lindas que lembram as roupas que usamos no campo para “passarinhar”. Marque seu estilo. Estilo mulher birdwatcher.

Eu, estilo mulher birdwatcher - por Bruno Nambu

Eu, estilo mulher birdwatcher – por Bruno Nambu

(*v*) Sem ganhar nada com propaganda eu gosto muito dessas lojas aqui em São Paulo para adquirir roupas para “passarinhar”.

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